PLANTAS MEDICINAIS
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de novembro de 2007
Rui Cépil Diniz 
Considerações iniciais: Lembramos que os nomes populares das diversas plantas medicinais, que temos apresentado nesta coluna nos últimos dois anos, devem ser considerados apenas ''apelidos'', variando muito nas diversas regiões.
A mesma planta às vezes apresenta diversos nomes populares, ou o mesmo nome popular serve para várias espécies. Aproveitamos a planta de hoje para exemplificar este ''problema'' que enfrentamos na fitoterapia. A arnica que trataremos aqui (Arnica montana), nada tem a ver com a ''arnica brasileira'', de nome científico Solidago microglossa ou outro dependendo da região.
Sempre que possível, devemos tentar saber o nome científico da planta em questão, para não ''comprarmos gato por lebre''.
Aspectos botânicos: Planta aromática e perene da família das compostas, com altura entre 20 e 60 centímetros (cm), talo com poucas ramificações e em cuja base se encontra uma roseta de folhas lanceoladas sobre o solo. As flores são amareladas aparecendo em meados do verão e início do outono. Apresenta ainda um pequeno fruto pardacento.
Nativo da Europa Central e Meridional, Ásia Central e América do Norte, em zonas montanhosas, solos ácidos, arenosos e ricos em húmus. Atualmente é uma das espécies protegidas na Itália, Espanha e Suíça.
Nomes populares: Árnica, tabaco de montanha, betônica de montanha, mountain arnica (Ingl), arnique (França), arnica (Itália e Portugal).
Histórico: Suas propriedades terapêuticas já eram conhecidas pelas primitivas tribos germânicas. Seu nome talvez provenha da palavra grega arnakis (pele de cordeiro), devido a textura suave de suas folhas. Junto com a calêndula, era utilizada para o preparo de pomadas para cicatrização de feridas dos gladiadores nos circos romanos.
Foi descrita inicialmente por Matthiolus e foi empregada pela medicina popular alemã do século XVI. Goethe (1749 - 1832) tomava chá de arnica para tratar sua angina. Na França foi costume fumar suas folhas ou aspirá-las como rapé. Na Alemanha, seu uso interno para o tratamento de doenças cardíacas persiste até os dias de hoje, porém, nos Estados Unidos, Inglaterra e outros países (incluindo o Brasil) somente se recomenda o uso externo;
Usos terapêuticos: Anti-inflamatório tópico e rubefasciente (traumatismos, entorces, artrites, nevralgias, hematomas), anti-alérgico, anti-eczematoso, adstringente, anti-bacteriano e anti-micótico.
Princípios ativos: Óleos essenciais, álcoois terpênicos, ácidos fenólicos, carotenóides, flavonóides, taninos, cumarinas, sais de magnésio, etc.
Partes utilizadas: Flores
Formas de uso e dosagem:
Uso interno: Desaconselhado, exceto em homeopatia, onde a diluição infinitesimal, evita sua toxicidade, podendo ainda ser utilizado tanto em quadros agudos como crônicos.
Uso externo: Tintura (10%) em álcool comum ou de cereais, utilizada diluída em água para banhos e compressas, ou aplicada através de massagem nas áreas afetadas. Em diluições maiores, pode ser empregada para bochechos e gargarejos. Infusão a 2-4% também para aplicação local.
Obs: pode ser associada a outras plantas, como cânfora, menta, erva-baleeira e outras.
Tempo de uso: Sem contra-indicações ao uso prolongado nas formas de uso indicadas.
Efeitos colaterais: Irritação no local da aplicação em pessoas sensíveis.
Contra-indicações: Se contra-indica o uso interno em qualquer situação (exceto em homeopatia), pelo potencial tóxico elevado, podendo levar a náuseas, vômitos, dor abdominal, tonturas, hiporreflexia, alucinações e até a morte.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis . 1998 - Buenos Aires - Argentina.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


