Aspectos botânicos: Arbusto pertencente a família das Hamamelidáceas, com altura entre 1,5 e 3,5 metros, casca lisa e amarronzada, folhas caducas, elípticas, de margem assimétrica em sua base, de 7,5 a 12,5 cm de largura. Flores amarelas por fora e pardacentas por dentro, com 2 cm, 4 pétalas características, e que aparecem no final do outono, quando caem as folhas. Apresenta frutos capsulares.

Originário da América do Norte, ocorrendo espontaneamente em bosques úmidos na região sudeste dos EUA. Muito cultivado como arbusto ornamental em quase todo o mundo.

Nomes comuns: Hamamelis, witch hazel (Inglaterra), amamelide (Itália), vara mosqueada, nogueira de bruxas.

Histórico: A palavra hamamelis, provém do grego Manzana, Os índios norte-americanos já a utilizavam para fins medicinais desde antes da chegada dos colonizadores. Utilizavam a decocção de sua casca e folhas para tratar inflamações, tumores e feridas da pele. Seus galhos em forquilhas foram muito empregados como varas para detectar água e ouro. Foi incorporado a farmacopéia americana em 1882.

Usos terapêuticos: Anti-inflamatório, bacteriostático, vasoprotetor, adstringente e hemostático, utilizada em hemorróidas (folhas principalmente), varizes, inflamações de pele e mucosas em geral, diarréias, corrimentos vaginais, contusões, acnes, caspa, conjuntivites.

Princípios ativos: Na casca se encontram taninos (hamamelitaninos, taninos condensados e mono gaílhamamelosa), óleos essenciais (eugenol, hexenol, safrol, iononas, sesquiterpenos), saponinas e resinas.

Nas folhas se encontram óleos essenciais (álcoois, ésteres, compostos carbônicos e safrol), taninos (taninos gálicos, catecóis condensados e procianídicos), leucoantocianidinas, flavonóides, ácidos fenólicos, colina, ácido oxálico e substâncias amargas.

Partes utilizadas: Folhas e cascas. As folhas são colhidas no verão para a elaboração de extratos secos, líquidos e unguentos. A casca na primavera para a elaboração de tinturas.



Formas de uso e dosagem:

- Uso interno: Infusão das folhas a 3%; extrato seco (5:1): entre 0,5 e 1,8 gr/dia, dividido em 03 tomadas; extrato fluido: 1 a 4 gr/dia, dividido em 03 tomadas; tintura (1:10): 2 a 5 gr/dia; supositórios p/ hemorróidas: 0,10 gr isolado ou associado a rutina, lidocaína, e outras.

- Uso externo: Infusão das folhas e cascas, água destilada, unguentos, desodorantes, sabonetes, cremes, xampus, loções, etc.

Tempo de uso: Evitar o uso continuado e em altas doses.

Efeitos colaterais: Não observados nas doses preconizadas. Entretanto, em caso de uso interno, recomenda-se tratamentos descontinuados, pelo elevado teor de taninos, que podem irritar a mucosa digestiva. Em altas doses, pela presença de safrol (apesar da pequena quantidade na hamamelis), pode provocar alucinações, carcinogênese, espasmos digestivos e até a morte. Pode ainda diminuir a absorção de ferro em pacientes utilizando antianêmicos por via oral.

Contra-indicações: Úlceras digestivas (gástrica, duodenal, colite, diverticulite). Apesar da citação de Newall C. et al, 1996, de que não existiriam inconvenientes em seu uso na gestação, dentro das doses usuais, preferimos não recomendar seu uso interno até que maiores estudos de toxicidade sejam realizados.


Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.


Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr. Jorge R. Alonso - editora Isis . 1998 - Buenos Aires - Argentina.

RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).

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