Aspectos botânicos: Árvore elegante, que atinge de 6 a 10 metros de altura. Possui casca avermelhada, de fragmentos irregulares. Os folíolos são cobertos com pêlos finos e macios e as flores são grandes e vermelhas. Devido a estas características é eminentemente ornamental, utilizada em paisagismo. Na época da floração perde quase todas as folhas, cobrindo-se de flores. As sementes são manchadas de vermelho e preto. Vegeta em abundância no litoral norte do Brasil.

Nomes comuns: Mulungu, murungu, muchocho, pau imortal.

Histórico: Gabriel Soares de Souza já registrara no século l6 comedoi (tupi), que quer dizer: cuman+oí= o feijão que, por si mesmo se solta, ao tratar da Erythrina verna Velloso (E. mulungu Mart.).

Mulungu corresponde a mulungo, segundo os comentários e notas de Pirajá da Silva sobre a obra quinhentista mencionada.

No século l8 já se fazia referência ao mulungu, também chamado argueiro, usado como emoliente e resolutivo.

O Dicionário Português-Umbundo apresenta o verbete mulungu: o mesmo que mulungo e equiparado ao ''muave'' e que se emprega em provas judiciais como prova de veneno, ombuloungo. ''Muave'', planta venenosa conhecida por pau-dos feiticeiros, ''ufila-nganga''. Umbundo é língua falada no centro de Angola.

Considera-se, ainda, que na África existem espécies de Erythrina tais como: E.abyssinica (DC.) Lam., E. caffra Thumb. E. tomentosa (A. Rich.) R.Br., conhecidas por ''murungu'' pelo povo Shabala e pelo povo Manika e ''mungu'' pelo povo Sucuma.

Segundo o Dictionary of modern yoruba, há referência à Erythrina senegalensis Chevalier, ''Ologúnsesè'', nome dado a uma árvore dedicada ao deus da caça.

Cascudo citando Ferreira, ''o termo mulungu é empregado para designar o Ser Supremo em 25 línguas e dialetos do Leste africano, desde o Baixo Zambeze até o lago Vitória e da costa até o rio Luangua. Esse Ser Supremo vulgarmente tido como Criador, é associado ao trovão, ao relâmpago e à chuva.''

Usos terapêuticos: Nervosismo, agitação, insônia, dores reumáticas e nevralgias, asma.

Princípios ativos: Alcalóides (eretrina, erisopina, erisodina, eritramina, eritratina), esteróides.

Partes utilizadas: Cascas.

Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: Pó - até 12 gr ao dia; Infusão ou decocto a 2% - 1 ou 2 xícaras ao dia; Extrato fluido - 1 a 4 ml ao dia; Tintura -1 colher de sobremesa a cada 8 horas.

- Uso externo: Decocto em banhos calmantes.

Tempo de uso: Uso intermitente, pelo tempo que se fizer necessário.

Efeitos colaterais: Não há referências na literatura consultada.

Contra-indicações: Não há referências na literatura consultada, porém, se recomenda que seu uso seja evitado em gestantes, nutrizes e crianças menores até que maiores estudos sejam realizados.

Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.


Fontes principais de consulta: Herbarium compêndio de fitoterapia / magrid teske; Anny Margaly M. Trentini. 4. ed. -Curitiba: Herbarium Lab. Bot. Ltda, 2001; Artigo de Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo - Publicado em: Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, (IEB/USP), Universidade de São Paulo, 1997

RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).

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