PLANTAS MEDICINAIS
Quando pensamos em plantas medicinais, geralmente nos esquecemos de que muitas delas estão presentes em nosso dia a dia, sendo utilizadas de diversas formas, inclusive como alimentos. Um bom exemplo é o alho, planta cujo uso culinário-medicinal coincide com o início da civilização, e hoje desponta como um dos fitoterápicos de maior utilidade na clínica diária.
Aspectos agronômicos: - Planta da família Alliaceas, nativa da Ásia central, e atualmente distribuído praticamente por todo o mundo.
Nomes comuns: Alho, ajo, aglio (Itália), alho hortense (Portugal), garlic (Inglaterra e EUA).
Erva anual, caracterizada por crescer formando bulbos (''cabeça de alho'') com até 20 ''dentes''. O talo, nasce a partir do bulbo e pode atingir até 50 centímetros (cm), com folhas lineares, dispostas em forma de roseta. Regiões de alto índice pluviométrico e/ou alta umidade relativa do ar são impróprias para o alho. Temperaturas baixas no plantio com posterior fotoperíodos crescentes estimulam a bulbificação e posterior maturação, devendo ser plantas entre março e julho e colhidas entre agosto e dezembro . Cultivares tardias são mais adequadas para a região Sul do Brasil e cultivares precoces para o Centro-Norte.
Pode ser plantado em todos os tipos de solo, porém os muito argilosos devem ser evitados, com pH entre 6,5 e 6,8. Responde bem a adubação orgânica.
A irrigação por aspersão é a ideal, podendo tolerar alguns dias de seca.
Propagação: Por ''sementes'' (dentes) ou bulbos. Espaçamento: 25 X 10 cm, em canteiros elevados.
Porte da planta: Pode atingir eventualmente 50 cm de altura.
Colheita: O início pode ocorrer aos 6 meses após o plantio no campo; Quando murcham aproximadamente 20% das plantas, os bulbos são arrancados e deixados no campo até que sequem totalmente, sendo armazenados posteriormente em locais frescos e secos.
Secagem: Após a colheita, o alho deve ser deixado secar ao sol no campo, sendo coberto pela sua própria ''palha'', evitando o sol direto, por até uma semana.
Principais doenças e pragas: Podridão (seca e branca), ferrugem e mancha púrpura; tripes, ácaros, brocas, traças, nematóides e lagarta rosca (lembrando que para o uso medicinal, o controle sempre deve ser baseado nos princípios da agricultura orgânica).
Usos terapêuticos: Condimento, redutor do colesterol, anti-agregante plaquetário, anti-infeccioso (anti-viral, anti-bacteriano e anti-fúngico), anti-tumoral, desintoxicante, anti-oxidante, hipoglicemiante (diabetes), anti-séptico, hipotensor e anti-arrítmico, energizante.
Princípios ativos:
- Compostos sulfurados: solúveis em água (inodoros): derivados da cisteína (s-alil-cisteína, S-alil-mercaptocisteína, S-metilcisteína, gamma-glutamil-cisteína); solúveis em óleo: alicina, compostos dialílicos, aliina, ditiinas, alhoeno;
- Compostos não sulfurados: alicina, saponina, polisacarídeos, mucilagens, sais de potássio, óxido de ferro, ácido salicílico, cálcio, níquel, selênio, vit. E, niacina, vit. C, tiamina.
Conteúdo alimentício: Em 100 gr de alho cru, encontramos: 6,1 gr de proteínas, 27,5 gr de hidratos de carbono, 0,1 gr de gorduras, 64 gr de água, 0,7 gr de fibras, 1,5 gr de cinzas e 130 calorias.
Partes utilizadas: bulbos e folhas.
Formas de uso e dosagem:
- Óleo de alho: 0,03 a 0,12 ml 3 X ao dia; 60 a 100 mg/dia (fibrinolítico e antiagregante plaquetário).
- Infuso: 2 ou 3 dentes de alho amassados em 01 xícara de água;
- Alho fresco: 04 gramas ao dia como redutor do colesterol e anti-radicais livres;
- Bulbo seco: 02 a 04 gr 3 X ao dia;
- Tintura 1:5 em álcool 45%: 02 a 04 ml 3 X ao dia;
Para crianças a recomendação é o uso somente em baixas doses diluídas.
Tempo de uso: sem contra-indicações ao uso prolongado.
Efeitos colaterais: Irritação gástrica e náuseas em altas doses; odor perceptível na pele e na respiração; reações alérgicas em pessoas sensíveis.
Contra-indicações: Hipersensibilidade ao óleo de alho; sem referências a seu uso em gravidez e lactação.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fonte principal de consulta: ''Herbarium compêndio de fitoterapia'' / Magrid Teske; Anny Margaly Maciel Trentini. 4. ed. Curitiba. ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr. Jorge R. Alonso -editora Isis . 1998 - Buenos Aires - Argentina. www.agrojuris.eng.br - site do CCT -Centro de Capacitação técnica.





