O uso de plantas medicinais pelo homem, é tão antigo quanto a sua própria existência. Os conhecimentos são passados de geração a geração durante séculos. Devido a este caráter ''pouco científico'' na transferência de conhecimentos, muitas inverdades acabam se tornando verdades absolutas, o que leva muitas vezes a indesejáveis consequências.
São diversos os exemplos de plantas que entram na moda, e seu uso se torna uma panacéia, caindo em descrédito logo em seguida. É o caso de nossa planta da semana, o Confrei.
Excelente produto para uso tópico, seu uso interno foi abusivo durante alguns anos, provocando lesões hepáticas irreversíveis em diversas pessoas e caindo em desuso, apesar de suas qualidades terapêuticas.
Seu uso volta a prática atualmente, após estudos de validação, que comprovaram sua toxicidade hepática apenas quando usado internamente, tendo seu uso externo autorizado e indicado para diversas patologias, fazendo parte da lista simplificada de registros da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produtos fitoterápicos.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.

CONFREI - Symphytum officinalis.

Aspectos agronômicos:
Planta da família Borraginaceae, nativa da Europa e Ásia de clima temperado. Disseminada pela América em regiões úmidas, sombreadas e próximas a rios e riachos. Erva perene, de clima temperado a subtropical. Tolera geadas moderadas e breves períodos de estiagem. Desenvolve-se bem sob sol pleno, desde que com oferta hídrica adequada.
Os solos de fertilidade média-alta, com bom teor de matéria orgânica, pH entre 5 e 6,5 e boa drenagem são os mais adequados. Média exigência hídrica. As folhas desenvolvem-se mais e tornam-se maiores quando a oferta hídrica é adequada.
Propaga-se por divisão de touceiras (com no mínimo um rebento); plantio nos meses mais chuvosos do ano, direto no campo.
O espaçamento deve ser de 30 a 50 cm entre plantas e 50 cm entre linhas. Dependendo da fertilidade do solo, pode-se adequar este arranjo espacial. Pode atingir de 50 a 60 cm de altura e pode ser cultivada intercalada com boldo baiano (Vernonia condensata), sabugueiro (Sambucus australis)ou cidró (Aloysia triphylla).
Início da colheita 03 a 05 meses após o plantio, coletando-se as folhas mais velhas. Rendimento de 6 t/ha a 10 t/ha de folhas secas e de 3 t/ha a 8/ha de raízes secas/ano (Correa et al., 1991).
A temperatura máxima de secagem das folhas não deve exceder os 45oC. A temperatura máxima de secagem das raízes não deve exceder os 60oC.
OBS: Pode ser hospedeira de Meloidogyne (Prosdócimo & Lozano, 1998).

Usos terapêuticos:
Planta recomendada apenas para uso externo, pois seu uso interno pode provocar lesões hepáticas irreverssíveis.
Usado externamente como adstringente (''seca'' a pele), cicatrizante, emoliente (''suaviza e amacia'' a pele), antiinflamatório tópico, anti-eczematoso, anti-psoriásico.
Princípios ativos: Alantoína, fitoesteróides (Beta-sitosterol), alcalóides pirrolizidínicos, taninos, ácidos orgânicos, saponinas, mucilagens.
Partes utilizadas: Folhas adultas e principalmente as raízes.
Formas de uso e dosagem: Uso interno: Contra-indicado em qualquer situação;
Uso externo: chás: 50 gr/litro de água para banhos e compressas; suco fresco diluído em água para psoríase (banhos e compressas); cremes, géis e pomadas para uso externo.
Tempo de uso: externamente, pelo tempo que se fizer necessário;
Efeitos colaterais: lesões hepáticas irreversíveis em casos de uso interno; não há referências a efeitos colaterais no uso externo.
Contra indicações: contra indicado para uso interno em qualquer situação; evitar o uso na gravidez.

Fonte principal de consulta: ''Cultivo de plantas aromáticas e medicinais'' - IAPAR - Autor: Eng. Agr. Paulo Guilherme F. Ribeiro; Co-autor: Rui Cépil Diniz (Médico)- Livro em fase de conclusão para publicação.

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