PLANTAS MEDICINAIS - MENTRASTO Ageratum conyzoides
Aspectos agronômicos: Planta da família das compostas - Asteraceae, nativa da América tropical, desde o México até o Brasil, incluindo as ilhas Ocidentais. É comum o cultivo como ornamental na Europa (Morton, 1981).
Erva anual de clima tropical a subtropical. Vegeta praticamente o ano todo, a pleno sol ou em locais ligeiramente sombreados. Não é exigente quanto à fertilidade. Deve ter boa drenagem, pois não se verifica sua ocorrência espontânea em locais encharcados. Solos férteis com bom teor de matéria orgânica favorecem o desenvolvimento vegetativo e a produção da biomassa.
Baixa exigência quanto à irrigação, entretanto, observa-se que plantas em locais mais úmidos, como na proximidade de copas de árvores, são mais desenvolvidas.
Propagação: Por sementes. Uma planta pode produzir 40 mil sementes. Devido ao seu tamanho diminuto, pode-se semear em copinhos ou saquinhos e transplantar para o campo quando as mudinhas estiverem com o segundo par de folhas definitivas. Na semeadura direta no campo, deve-se misturar pó de serra para facilitar a distribuição, raleando-se após 10 a 15 dias da emergência.
Espaçamento: Pode variar de 20 por 30 cm a 50 por 70 cm, de acordo com a fertilidade do solo, época de semeadura e método de plantio. Para solos mais férteis e plantios em novembro usam-se espaçamentos mais abertos.
Porte da planta: Prostrado. Pode atingir até 70 cm.
Colheita: Na pré-floração, geralmente 2-3 meses após a emergência ou o transplante.
Rendimento: 2 a 5 t/ha de planta fresca - 800 a 1300 Kg/ha de planta seca.
Secagem: Temperatura máxima de secagem de 45 a 60ºC.
Observação: Pode ser hospedeira de Meloidogyne (Prosdócimo & Lozano, 1998);
Nomes comuns: Agerato, cacália-mentrasto, câmara-opela, catinga-de-barão, catinga-de-bode, celestina, celestina-zaul, cúria, erva-de-Santa-Lúcia, erva-de-São-João, erva-de-São-José, mentraço, mentrasto, mentraz, mentruz, picão-roxo.
Usos terapêuticos: Principalmente utilizado para contusões e como cicatrizante de uso tópico; apresenta ainda ação analgésica, antiespasmódica, antidiarreica, antireumático, estomáquico, ocitócico e emenagogo, devendo, porém seu uso interno ser evitado, principalmente pela presença dos alcalóides pirrolizidínicos.
Princípios ativos: As folhas e raízes apresentam maior concentração de óleos essenciais, cariofileno(25%) e precoceno (63% - cumarina), seguido de sesquifelandreno, elemano, timol (Wandji et al., 1996), além de resinas, mucilagens, taninos, princípios amargos, saponinas e alcalóides (pirrolizidínicos inclusive).
Partes utilizadas: Planta toda, menos as flores, de preferência fresca.
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: Não recomendado, até que maiores estudos sejam realizados.
- Uso externo: Tintura alcoólica - 100gr de folhas frescas/litro de álcool etílico - aplicação tópica 03 vezes ao dia.
Obs.: Em algumas publicações, admite-se o uso interno, respeitando-se a dose máxima diária de 30 a 50 gr de folhas frescas ao dia (como infusão das folhas ou decocção das raízes), evitando-se o uso interno por mais de três semanas, e sempre com acompanhamento médico.
Tempo de uso: Caso exista a opção médica pelo uso interno, deve-se evitar o uso contínuo e prolongado.
Efeitos colaterais: O uso prolongado pode levar a hipertensão arterial, hepatotoxicidade (pelos alcalóides pirrolizidínicos) e hemorragias (pelas cumarinas).
Contra-indicações: Hipertensos, pacientes em uso de anti-coagulantes, hepatopatas, gestação e lactação.
Lembramos que as informações aqui contidas terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fonte principal de consulta: ''Plantas aromáticas e medicinais - cultivo e utilização'' - Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz. Londrina. Iapar, 2008.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).





