PLANTAS MEDICINAIS - MELISSA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de março de 2010
Rui Cépil Diniz 
Aspectos agronômicos: Planta da família Lamiaceae, nativa do Oriente Médio e Mediterrâneo (Sul da Europa e Norte da Ásia). Introduzida e aclimatada nas Américas, é cultivada nos Estados Unidos, desde o Maine até a Geórgia e Missouri, e em regiões subtropicais da América Latina, como Colômbia, Venezuela, Argentina e Brasil. Erva perene, de clima temperado a subtropical, desenvolve-se bem sob sol pleno, não tolera temperaturas muito elevadas ou alta umidade relativa do ar. Com média tolerância a geadas e exigente em disponibilidade hídrica no solo.
Requer solos bem drenados, com boa fertilidade e bom teor de matéria orgânica.
Pode ser propagada por sementes, que são muito pequenas, o que dificulta sua distribuição, ou por divisão de touceiras. Plantio de setembro a janeiro, direto no campo, efetuando-se irrigações diárias, até o enraizamento.
O espaçamento deve ser de 30 x 30 centímetros entrelinhas até 40 x 40 cm. Pode atingir de 30 a 50 cm de altura.
Início da colheita em seis meses após o plantio no campo, cortando-se 10 cm acima do solo. Deve-se optar pelo corte na parte da manhã para reduzir as perdas de óleos voláteis (Adzet et al., 1992), sendo possível efetuar até três cortes/ano. Rendimento de 1,5 a 2,5 t/ha/ano de folhas secas. O teor de óleo essencial varia de 0,2 a 0,3%, mas pode chegar a 0,5% com melhoramento genético (Adzet et al., 1992).
A temperatura máxima de secagem das folhas não deve exceder os 45ºC.
OBS.: A área de plantio deve ser renovada a cada três a quatro anos.
Nomes populares: Anafa, cidreira, erva-cidreira, citronela-menor, capim cheiroso, capim-cidreira, jacapé, melissa (Itália), melisa (Argentina), toronjil, lemon balm (Inglaterra), mélisse (França).
Histórico: Planta cultivada no Mediterrâneo há 2 mil anos, como planta melífera (daí sua denominação - melissa). O aroma de seus óleos essenciais é semelhante ao das secreções sexuais das abelhas. Os Árabes foram os primeiros a dar importância a seu uso medicinal, em casos de hipocondria, ansiedade e depressão. Era chamada de ''elixir de longa vida'' por Paracelso (médico da Antiguidade).
Usos terapêuticos: Internamente como tranquilizante, sedativo e hipnótico (insônia), antiespasmódico (contra cólicas), carminativo (contra gases), colerético (estimula a função da vesícula biliar, facilitando a digestão), antioxidante, inibe a função tireoidiana, analgésico (enxaquecas) e hipotensor. Externamente, em compressas, para picadas de inseto, herpes e ''entupimento'' das mamas.
Obs: O efeito sedativo pode ser antecedido por um curto período de excitação. Deve ser utilizado, portanto, uma hora antes de se deitar (assim como a maioria dos fitoterápicos sedativos).
Outros usos: Utilizado em culinária, para dar um aroma de limão aos pratos. Utilizada ainda em bebidas e licores diversos e na indústria cosmética, para banhos aromáticos e preparo de diversos produtos para a pele e os cabelos, além de repelente de insetos.
Princípios ativos: Óleos essenciais (linalol, geraniol, nerol, citral, citronelal, etc), flavonóides (luteolol, apigenina), ácidos (rosmarínico, cafeico, clorogênico, ursólico, rosmarínico e oleânico), taninos, glicosídeos e resinas.
Partes utilizadas: Folhas e flores.
Formas de uso e dosagem: Chá por infusão: 30 a 70 gramas. Planta fresca/litro de água - até 3 xícaras/dia; 3 gramas planta seca/dose até 3x/dia. Cataplasmas, pomadas ou cremes para uso tópico. Creme -1% extrato aquoso liofilizado (70:1) 2 a 4 x/dia. Extrato seco (5:1): 300 a 900 mg/dia. Extrato fluído: 2 g/dia. Óleo essencial: 2 a 4 gotas até 3X/dia (uso criterioso). Tintura (1:5): 2 a 6 ml até 3X/dia.
Tempo de uso: Pelo tempo que se fizer necessário.
Efeitos colaterais: Sonolência, hipotensão arterial em altas doses (principalmente na utilização da essência). Não relatados nas dosagens recomendadas.
Contra indicações: Gravidez, lactação e hipotireoidismo.
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''ESCOP Monographs''. The European Scientific Cooperative on Phytotherapy - Editora Thieme. 2003 - Inglaterra. ''Plantas aromáticas e medicinais - cultivo e utilização'' - Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz. Londrina. Iapar, 2008. Fitoterapia Magistral. Um guia prático para a manipulação de fitoterápicos. Publicações Anfarmag - 2005. ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


