PLANTAS MEDICINAIS - HAMAMELIS - Hamamelis virginiana L.
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de dezembro de 2010
Rui Cépil Diniz 
Nome farmacêutico: Hamamelidis folium, Hamamelidis córtex
Aspectos botânicos: Arbusto pertencente à família Hamamelidaceae, com altura entre 1,5 e 3,5 metros, casca lisa e amarronzada, folhas caducas, elípticas, de margem assimétrica em sua base, de 7,5 a 12,5 cm de largura Flores amarelas por fora e pardacentas por dentro, com 2 cm, 4 pétalas características, e que aparecem no final do outono, quando caem as folhas Apresenta frutos capsulares
Originário da América do Norte, ocorrendo espontaneamente em bosques úmidos na região sudeste dos EUA e Canadá Muito cultivado como arbusto ornamental em quase todo o mundo
Nomes comuns: Hamamelis, hamamélia, hamamelis-da-virgínia, witch hazel (Inglaterra), amamelide (Itália), tripolis dentat, vara mosqueada, nogueira-de-bruxas, amieiro-mosqueado, aveleira-de-bruxa, aveleira-de-feiticeira, flor-do-inverno, vassoura-de-bruxa
Histórico: A palavra hamamelis, provém do grego Manzana, Os índios norte-americanos já a utilizavam para fins medicinais desde antes da chegada dos colonizadores Utilizavam a decocção de sua casca e folhas para tratar inflamações, tumores e feridas da pele Seus galhos em forquilhas foram muito empregados como varas para detectar água e ouro Foi incorporada a farmacopéia americana em 1882
Usos terapêuticos: Anti-inflamatório, bacteriostático, vasoprotetor, adstringente e hemostático, utilizada em hemorróidas (folhas principalmente), varizes, inflamações de pele e mucosas em geral (gengivites, estomatites, herpes, faringo-amigdalites, etc), diarréias, corrimentos vaginais, contusões, acne, caspa, conjuntivite
Princípios ativos: Na casca se encontram taninos (hamamelitaninos, taninos condensados e mono gaílhamamelosa), óleos essenciais (eugenol, hexenol, safrol, iononas, sesquiterpenos), saponinas e resinas
Nas folhas se encontram óleos essenciais (álcoois, ésteres, compostos carbônicos e safrol), taninos (taninos gálicos, catecóis condensados e procianídicos), leucoantocianidinas, flavonóides, ácidos fenólicos, colina, ácido oxálico e substâncias amargas
Marcador: Taninos totais - Mínimo de 7% (expressos em pirogalhol no fármaco seco) - segundo a farmacopéia portuguesa VII edição
Partes utilizadas: Folhas e cascas As folhas são colhidas no verão para a elaboração de extratos secos, líquidos e unguentos A casca na primavera para a elaboração de tinturas
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: infusão das folhas a 3%; extrato seco (5:1): entre 0,5 e 1,8 g/dia, dividido em 3 tomadas diárias; extrato fluido: 1 a 4 g/dia, dividido em 3 doses diárias; tintura (1:10): 2 a 5 g/dia; supositórios p/ hemorróidas: 0,10 g isolado ou associado a rutina, lidocaína, e outras;
- Uso externo: infusão das folhas e cascas, extrato glicerinado (1:5) como pomada, gel ou creme, água destilada, unguentos, desodorantes, sabonetes, xampus, loções, etc
Tempo de uso: Evitar o uso interno continuado e em altas doses
Efeitos colaterais: Não observados nas doses preconizadas Entretanto, em casos de uso interno, não se recomendam tratamentos continuados, pelo elevado teor de taninos, que podem irritar a mucosa digestiva Também em altas doses, pela presença de safrol (apesar da pequena quantidade na hamamelis), pode provocar alucinações, carcinogênese, espasmos digestivos e até a morte Pode ainda diminuir a absorção de ferro em pacientes utilizando antianêmicos por via oral
Contra-indicações: Úlceras digestivas (gástrica, duodenal, colite, diverticulite) Apesar da citação de Newall C et al, 1996, de que não existiriam inconvenientes em seu uso na gestação, dentro das doses usuais, preferimos não recomendar seu uso interno (inclusive na amamentação), principalmente pela presença de taninos, até que maiores estudos de toxicidade sejam realizados
Lembramos que as informações aqui contidas terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados
Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' Dr Jorge R Alonso - Editora Isis 1998 - Buenos Aires - Argentina Fitoterapia Magistral Um guia prático para a manipulação de fitoterápicos Publicações Anfarmag - 2005


