PLANTAS MEDICINAIS - Gripe A (H1N1) e as plantas medicinais
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Rui Cépil Diniz 
Estamos novamente em Guerra. Guerra contra a gripe. Em tempos de guerra, todos precisamos nos engajar, fazendo nossa parte, necessitando de todas as armas disponíveis, e as plantas medicinais, estão entre elas.
Não podemos começar nenhum assunto sobre a nova gripe, sem citarmos os cuidados necessários para evitar sua disseminação:
- Lavar as mãos com água e sabão; evitar tocar o rosto e objetos tocados por outras pessoas; proteger o rosto com lenço ou outro papel descartável ao tossir ou espirrar; manter os ambientes ventilados; evitar permanecer em locais fechados e com grande número de pessoas; procurar o serviço de saúde em casos suspeitos e manter contato físico com o mínimo de pessoas; além de diversos outros cuidados, certamente contribuirá para minimizar os casos de gripe A e suas consequências.
Pessoas saudáveis têm um sistema imunológico melhor preparado para combater as agressões do meio externo, inclusive as infecções. Hábitos como beber bastante líquidos (dois litros ao dia), praticar atividades físicas regularmente, controlar o estresse, desenvolver sua espiritualidade e ter uma alimentação saudável, podem fazer a diferença.
Em relação à alimentação, tenha uma dieta balanceada, diminua o consumo de gorduras, carnes e alimentos industrializados e consuma muitas frutas, verduras e legumes frescos.
A ''Gripe A'', é uma doença séria, que, infelizmente, pode evoluir mal em alguns casos, e que ainda conhecemos muito pouco.
Salientamos então, que o uso de plantas medicinais é alternativo e complementar, podendo até ser eficaz, mas jamais substituirá a assistência médica necessária, e que todos os serviços de saúde estão preparados para esta assistência.
Diversas plantas podem ser utilizadas, como prevenção e como coadjuvantes do tratamento instituído.
Plantas ricas em vitaminas e determinados sais minerais, como o alho, a cebola, cenoura, beterraba, couve, espinafre, sementes de abóbora, cogumelo shitake, acerola, laranja, ginseng (tanto o ''coreano'' como o ''brasileiro'') e diversas outras, contribuem para reforçar previamente nosso sistema imunológico;
As plantas medicinais que podemos utilizar, teriam diversas funções distintas: Poderiam agir como anti-sépticas, antivirais, mucolíticas, expectorantes, etc.
Como expectorantes, poderíamos utilizar as mentas (hortelãs e poejo), o guaco, o eucalipto, a canela, o manjericão, o agrião, o abacaxi e os cítricos, entre outros, preparados como chás, sucos ou xaropes.
Como anti-sépticos e antivirais, o alho, a cebola, o alcaçuz, o anis estrelado, a erva doce, o cravo e o gengibre.
Outras plantas, são chamadas de imunoestimulantes, ou imunomoduladoras, como a equinácea, o ginseng coreano, a fáfia (ginseng brasileiro), o Pelargonium (''kaloba'') e a unha-de-gato.
A maioria delas já foi objeto de artigos anteriores, em nossa coluna semanal. Algumas destas plantas merecem atenção especial, seja pelas suas atividades terapêuticas, seja pela atenção que tem recebido através da mídia e principalmente na Internet. Abordaremos hoje o Anis estrelado.
ANIS ESTRELADO - Illicium verum Hooker
Tradicionalmente usada na falta de apetite, gastrites ou flatulência, é atualmente exportada para o mundo inteiro. Foi utilizada como matéria-prima do medicamento antiviral ''Tamiflu'', utilizado no tratamento da gripe.
Nome Comum: Anis-Estrelado
Outros Nomes: Anis-da-china, badiana, badiana-da-china, Ba jiao hui chian (China), Star anise (Inglaterra), Anice stellato (Itália).
De gosto similar ao anis comum, ou erva-doce (Pimpinella anisum), o anis-estrelado, tradicionalmente designado pelos chineses por Ba Jiao Hui Chian (funcho de 8 pontas), utiliza-se principalmente como erva aromática na culinária e na elaboração de bebidas licorosas.
Atualmente, esta planta tem sido alvo de um enorme interesse econômico e científico. A sua utilização como matéria-prima para a fabricação do famoso medicamento antiviral Tamiflu, utilizado no tratamento da gripe, fez com que os seus preços disparassem nos últimos tempos.
A sua utilização medicinal, porém, remonta há séculos, tendo sido utilizada para tratar problemas de falta de apetite, dispepsias, gastrites, enterites, flatulência e cólicas. Topicamente é usada em micoses. A Comissão Européia aprovou a sua utilização na perda de apetite, tosse e bronquite - aplicações que se devem à sua atividade expectorante, espasmolítica, carminativa, estomáquica e anti-séptica. Tem ainda um efeito ativador na secreção do leite e do suor.
Árvore dos bosques tropicais do sudeste da China e norte do Vietnam, é hoje em dia cultivada no Sul da China e outras regiões tropicais, sendo exportada para o mundo inteiro. Entre as suas substâncias, destacam-se essencialmente o trans-anetol (80-90%), hidrocarbonetos, linalol e cineol. O ácido siquínico, presente em pequena quantidade, seria o precursor do oseltamivir (tamiflu).
Ricos em óleos essenciais, os seus frutos (sementes) devem conter no mínimo 70ml/Kg (F.P. VII).
Contra-Indicações e Dosagens: Muitas vezes sujeito à adulteração pela utilização da espécie tóxica Badiana-do-japão (Illicium religiosum).
Não deve ser ingerido durante a gravidez, no aleitamento e nos casos de hiperestrogenismo, podendo, em alguns casos, estar na origem de reações de hipersensibilidade, principalmente quando o seu uso é continuado e repetido.
A dose média diária é cerca de três gramas de planta. Pode ser tomada em infusão e, neste caso, adiciona-se 0,5 a 1g de frutos por xícara e tomando-se depois das refeições. O consumo pode ainda ser em cápsulas (pó) ou sob a forma de extrato seco (100 a 300mg por dia).
Observação importante: Não podemos e não devemos chamar o anis de ''tamiflu natural ou tamiflu caseiro''. Discussões econômicas e filosóficas à parte, não existem evidências clínicas disponíveis, que nos permita fazer este comentário. Diversos medicamentos sintéticos tem sua origem em plantas medicinais (como o AAS, a Digoxina e o próprio Tamiflu, por exemplo), mas acabam por ser sintetizados em laboratórios farmacêuticos. Não podemos afirmar que a quantidade de ácido siquínico presente no anis, seja suficiente para o tratamento da gripe. Podemos sim, utilizar o anis e diversas outras plantas medicinais como complemento aos tratamentos indicados pelo profissional de saúde (sempre com a sua anuência).
Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina. http://www.anovaordemmundial.com/2009/06. http://www.plugbr.net/
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


