Aspectos botânicos: Trepadeira semi-arbustiva, com 1,5 a 3 metros de altura, pertencente à família das Sapindáceas, apresentando folhas compostas, de 5 a 15 cm, de bordos ligeiramente denteados. Talos flexíveis com uma série de raízes adventícias nos lugares onde toca o solo. Flores pequenas e pilosas. Frutos em forma de pêra, do tamanho de uma avelã com três cápsulas, cada uma contendo uma semente (semelhante à semente da castanha da Índia).
  Na natureza, se enrola em troncos de grandes árvores, sendo muito difícil recolher seus frutos. Natural das zonas tropicais das Américas, especialmente do alto Amazonas (Brasil e Venezuela).
  No Brasil o maior produtor é a Bahia (baixo-sul), sendo cultivada em pequenas propriedades, com produtividade média de 500 Kg/ha, maior que na Amazônia, onde chega a 300 Kg/ha.
  Espécie adaptada à baixa altitude, clima quente e úmido com 85% de umidade relativa, 26ºC de temperatura média anual e precipitação anual entre 1.500 a 2000 mm. Os solos onde normalmente são plantados os guaranazeiros são de terra firme, profundos, bem drenados, porém quimicamente pobres. Plantios comerciais em solos férteis têm apresentado índices maiores de desenvolvimento vegetativo e de produtividade.
  Nomes comuns: Guaraná, guaranazeiro, guanáyuba, uaranazeiro, cupana, uabano (Port.);
  Histórico: O nome guaraná provém do termo indígena ‘‘varana’’, que significa árvore que sobe apoiada em outra, e foi dado pelos índios Guaranis, que utilizavam a semente para preparar uma bebida tônico-estimulante, que chamavam de ‘‘elixir de longa vida’’. Também é muito utilizada pelos indígenas do Orinoco. Uma lenda amazônica atribui sua origem a semelhança da semente com os olhos de uma deusa, a qual lhe proveria virtudes secretas.
  Usos terapêuticos: Estimulante do sistema nervoso central (melhora o estado de alerta, a associação de idéias, as atividades intelectuais, a concentração e a resistência ao cansaço), estimulante do centro respiratório e cardiovascular, diurético, anti-diarreico, inibidor da agregação plaquetária, adaptógeno, inibidor do apetite, afrodisíaco e analgésico;
  Princípios ativos: Suas sementes são muito ricas em purinas, amidos e outros açúcares, além de taninos e óleos essenciais em menor quantidade. Possui ainda cafeína (3 a 5%), teobromina e teofilina, guaranina, saponinas, colina, resinas, mucilagens, catequinas, flavonóides e minerais (cálcio, fósforo, potássio, magnésio e ferro);
  Partes utilizadas: Sementes (separadas das cápsulas) lavadas e tostadas;
  Formas de uso e dosagem: Uso interno: Pasta ou pó de guaraná, que pode ser diluída em água.
  Decocção das sementes a 3% (duas xícaras/dia).
  Extrato fluído- 3% de cafeína (0,5 a 1,5 g/dia em 3 tomadas).
  Extrato seco (100 a 600 mg/dia).
  Xarope a 3% (3 g de extrato fluído em 100 g de xarope – 3 colheres das de sopa/dia);
  Tempo de uso: recomenda-se o uso descontinuado pela possibilidade de dependência da cafeína e potencialização dos efeitos tóxicos (por exemplo: um mês de uso por duas semanas de ‘descanso’);
  Efeitos colaterais: Insônia, nervosismo, taquicardia, ansiedade, piora do diabetes, hipertensão arterial, desnutrição, etc, principalmente em pessoas sensíveis, em altas doses e no uso prolongado;
  Contra-indicações: Ansiedade, epilepsia, hipertireoidismo, taquicardias, arritmias cardíacas, hipertensão arterial, diabetes, cólon irritável, púrpura.
  Lembramos que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.  

Fontes principais de consulta: ‘‘Tratado de fitomedicina – bases clínicas e farmacológicas’’. Dr. Jorge R. Alonso – editora Isis. 1998 – Buenos Aires – Argentina.

  Dr. Rui Cépil Diniz – Médico especializado em medicina de família e comunidade e Fitoterapia. Coordenador do programa municipal de fitoterapia de Londrina. E-mail: [email protected]. Fone:(43) 3321-0652

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