PLANTAS MEDICINAIS - FITOTERAPIA
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Rui Cépil Diniz 
Aspectos botânicos: Árvore de grande porte (até 90 metros), da família das mirtáceas, tronco liso, folhas perenes, lanceoladas e opostas, cobertas por glândulas oleríferas. Flores de até quatro centímetros (cm) de diâmetro, solitárias ou em pequenos grupos. Fruto em forma de cápsula de aproximadamente três cm.
Nativo do sul da Austrália e da Tasmânia. Introduzido posteriormente em países mediterrâneos e subtropicais. Pouco exigente em solos, tendendo a distribuir-se amplamente formando grandes populações florestais. Os principais cultivos se encontram na Espanha, sul da França, Portugal, Brasil, EUA (Califórnia) e Congo.
Nomes populares: Eucalipto, eucalyptus (Inglaterra e França), eucalitto (Itália),
Histórico: Seu nome deriva do grego calyptra, cujo significado poderia ser algo como ''poço com tampa'', em alusão a seu fruto totalmente fechado, e globulus, em alusão a forma arredondada do fruto.
Os aborígenes utilizavam sua casca para o preparo de banhos e em casos de diarréias e o carvão das cascas era utilizado como antisséptico.
A partir do século XIX sua madeira foi muito utilizada, além de seu óleo, sua sombra, e sua capacidade de drenar áreas alagadas. A produção de óleo essencial iniciou-se em 1860, na Austrália.
No século XIX foi conhecido na Espanha, Itália e Portugal como árvore da febre, por ter sido utilizado para secar áreas pantanosas onde se desenvolviam os mosquitos responsáveis pela malária.
Usos terapêuticos: Expectorante, fluidificante, antisséptico (a nível respiratório, intestinal e urogenital), antigripal.
Outros usos: Algumas espécies têm adquirido importância na indústria alimentícia, papeleira, melífera, madeireira, perfumaria,como repelente de insetos, catalizador, obtenção de metanol e outros.
Princípios ativos: Óleos essenciais (cineol ou eucaliptol, mono e sesquiterpenos), flavonóides, taninos, ácidos diversos, resinas, ceras, etc.
Partes utilizadas: Folhas adultas (sem os pecíolos).
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: Infusão das folhas
(2-5%): 2 a 3 xícaras ao dia. Óleo essencial: 1 a 3 gotas 2 a 3 vezes ao dia. Extrato seco 5:1: até 01 g/dia dividido em 3 tomadas. Extrato fluído: 2 a 4 ml/dia. Supositório: 0,1 a 0,4 g de óleo 1 a 3 vezes ao dia. Inalações: Infusão a 1% (10 g/litro) ou essência 5 a 15 gotas em 500 ml de água fervente;
- Uso externo: 30 ml de óleo essencial em 500 ml de água para aplicações locais.
Tempo de uso: No uso interno, utilizar apenas por curtos períodos de tempo.
Efeitos colaterais: Em geral, nas doses recomendadas é muito bem tolerado. Em doses mais elevadas, pode levar a náuseas, vômitos, dor abdominal, diarréia, dispnéia, hematúria, e em casos mais graves até convulsões, perda de consciência, depressão respiratória e coma.
Em crianças menores de dois anos, o eucalipto, assim como outras plantas ricas em óleos essenciais, pode levar a um efeito paradoxal a nível respiratório (broncoespasmo), mesmo em doses adequadas. Pode causar ainda, fototoxicidade e irritação cutânea em pessoas sensíveis.
Interações medicamentosas: Evitar seu uso, associado a sedativos, analgésicos e anestésicos, pela possível potencialização de efeitos. Pode interferir também com os hipoglicemiantes.
Contra-indicações: Gravidez, lactação e crianças menores de dois anos.
Lembramos que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fonte principal de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).


