- Crataegus oxyacantha L. (C. monogyna Jacq.) (C. laevigata D. C.)

Aspectos botânicos: Árvore pequena, da família das Rosáceas, com altura entre dois e sete metros, ramos espinhosos, folhas pequenas (1 a 3,5 centímetros), flores brancas, de aproximadamente 1,0 cm, com 5 sépalas e 5 pétalas, de aroma intenso, e que aparecem no verão. Pequeno fruto com uma a três sementes em seu interior.
Aparece em quase toda a Europa, desde o mediterrâneo até o sul da Escandinávia, e da costa atlântica até o oeste da Ásia, além da Sibéria, América do Norte e Norte da África. Cresce em bosques caducifólios, pouco densos e com até 1.600 m de altitude.
Nomes populares: Espinheiro albar (Portugal), espino albar, crataegus, majuelo, hawthorn (Inglaterra), biancospino (Itália), aubépine ou epine blanche (França).
Histórico: O nome Crataegus, deriva do grego Kratiegus, que significa dureza, em alusão a dureza de sua madeira. O nome popular (espinheiro branco) faz referência aos numerosos espinhos e suas flores brancas.
Planta utilizada desde a Grécia antiga, citada por Plínio e Dioscórides, como excelente para menstruações abundantes e suas cólicas.
Para os Gregos e Romanos, simboliza a esperança, o matrimônio e a fertilidade. Teve seu uso abandonado por vários séculos, devido à crenças que o associavam a maus espíritos, pragas e morte. Há referências que a coroa de espinhos de Jesus Cristo, durante seu calvário, pertencesse a esta espécie e o aroma forte e desagradável de suas flores, fizeram que o mesmo fosse associado a peste bubônica (daí sua associação com morte e pragas).
Foi resgatado a partir do século XIV, por Pierre de Crescense, tendo sido utilizado para combater a gota, e a partir daí, com indicações diversas, tais como para hemorróidas, adstringente para leucorréia, e finalmente, em meados do século XIX, nos Estados Unidos, para uso cardiológico, em casos de angina do peito, tônico cardíaco, sedativo e contra cálculos renais.
Usos terapêuticos: Incorporado em farmacopéias de todo o mundo, inclusive do Brasil, com padronização da quantidade de glicosídeos flavonoídicos em concentração superior a 0,5%.
Possui duas atividades terapêuticas principais: Cardiovascular e sobre o Sistema Nervoso Central (SNC).
- Cardiovascular: Diversos estudos tem demonstrado um incremento no fluxo sanguíneo coronariano, com redução da pressão arterial, melhor clínica da insuficiência cardíaca (diminui a frequência cardíaca e aumenta sua força contrátil), auxiliar no controle de arritmias cardíacas, diurético leve (flores) e antirradicais livres (maior atividade da enzima superóxido desmutase.
- Atividades sobre o SNC: Sedativo, diminuindo o tônus simpático, com melhoras em sintomas vasomotores, tonturas, emotividade, etc.
Outros efeitos: Espasmolítico sobre a musculatura lisa, diminuindo o tônus muscular nos intestinos e no útero, redutor do colesterol ldl (colesterol ruim) e triglicerídeos.
Outros usos: Fabricação de pequenos móveis e caixas (madeira), licores e doces no Oriente (frutos).
Princípios ativos: Leucoantocianidinas (1 a 3%), flavonóides (1 a 2%) derivados do quercetol (hiperosídeo, rutina, quercetina, kaempferol) e do apigenol (vitexina e derivados, vincenina), ácidos carboxílicos (0,3 a 1,4%), com o oleânico, ursólico, cratególico, acantol, e outros, como os fitosteróis, taninos, purinas, óleos essenciais, vitamina C, amigdalina, sais minerais, açúcares, pectina, ácidos graxos e açúcares.
Partes utilizadas: Folhas e flores, e eventualmente os frutos.
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: Infusão a 5% por 15 minutos: 2 a 3 xícaras ao dia; tintura: 200 gr de flores secas em 01 litro de álcool; extrato fluído (01 g= 50 gotas): 0,5 a 2 g/dia, dividido em 2 a 3 tomadas/dia; extrato seco 5:1: 0,6 a 1,5 g/dia; tintura 1:5 em 45% de álcool: 1 a 2 ml 3X/dia.
- Uso externo: Infusão a 5% para banhos de assento.
Interações medicamentosas: Pode potencializar o efeito de anti-hipertensivos, antiarrítmicos, vaso dilatadores coronarianos e digitálicos, não devendo ser utilizado associado a estes. Formalmente contra indicada a associação com medicamentos para a impotência sexual, assim como outros vasodilatadores coronarianos.
Tempo de uso: Sem referências ao tempo de uso na literatura consultada, mas se preconiza, por precaução, que se evite o uso contínuo prolongado, principalmente em altas doses.
Efeitos colaterais: Cansaço, sudorese, náuseas e rush cutâneo, bradicardia e hipotensão arterial, principalmente em altas doses.
Contra-indicações: Gravidez e lactação .
Lembramos, que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas'' - Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.
RUI CÉPIL DINIZ é médico especialista em Fitomedicina e Saúde da Família, responsável pelo Programa Municipal de Fitoterapia (e-mail: [email protected] e telefone 43-3321-0652).

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