PLANTAS MEDICINAIS - BOLDO BAIANO - Vernonia condensata
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de outubro de 2010
Rui Cépil Diniz 
Diversas plantas são conhecidas popularmente como ''boldo''. Apesar de muitas vezes apresentarem efeitos terapêuticos semelhantes, devemos sempre diferenciá-los.
O Boldo-do-Chile verdadeiro (Peumus boldus), dificilmente é encontrado em nosso País, por questões climáticas diversas, podendo ser encontrado apenas em farmácias e supermercados.
Outros boldos comuns no Brasil, são o Coleus barbatus (boldo peludo, boldo-do-reino, falso boldo, sete dores, etc.) e o Plecthantrus barbatus (boldo-de-jardim ou boldo japonês).
Trataremos hoje da Vernonia condensata, conhecida como boldo baiano, alumã, figatil ou ainda falso boldo do Chile'', espécie facilmente encontrada em nossos jardins, e de uso popular muito difundido em nosso meio.
Aspectos agronômicos: Planta da família das compostas - Asteraceae (Compositae)-, nativa provavelmente da África e trazida ao Brasil pelos escravos, disseminou-se pelo Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Árvore pequena ou arbusto grande (atinge até cinco metros de altura quando não é podada).
Planta perene e tropical, adapta-se às regiões subtropicais não sujeitas a geadas intensas. Desenvolve-se a sol pleno. Baixa exigência em irrigação. Tolera cultivo de sequeiro, mesmo em regiões com irregular distribuição de chuvas.
Requer solos bem drenados, profundos e com fertilidade de baixa para média, desde que se efetue adubação orgânica após a colheita de folhas.
Propaga-se por estacas de ramos mais novos (até 20 cm), de setembro a janeiro, em sacos plásticos e posteriormente ao enraizamento, levadas para o campo. O espaçamento deve ser de 2 X 2 metros (conforme o sistema de condução ou poda).
Colher até 50% das folhas, quando a planta já estiver com 1 metro de altura.
Obs.: Cochonilhas e pulgões são pragas frequentes, quando mantida em vasos, estufas ou casas de vegetação, e estes atraem formigas que cortam as folhas.
Usos terapêuticos: Analgésico, colagogo, colerético, hepatoprotetor, digestivo, estimulante e tônico hepático.
Obs.: Lembramos que as plantas amargas, não são indicadas para tratar problemas gástricos (estômago), pois em geral, aumentam as secreções ácidas do estômago, podendo portanto agravar gastrites e úlceras pépticas previamente existentes.
Princípios ativos: No extrato metílico encontramos os princípios amargos (Vernonosídeos A1, A2, A3 e A4) e compostos não amargos, esteróides glicosídeos (Vernonosídeos B2 e B3).
Partes utilizadas: Folhas frescas e secas.
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: Chá por infusão: 20 a 30 gr de folhas secas/litro de água; tintura alcoólica 1:5 em álcool de cereais a 70%.
Tempo de uso: Evitar o uso contínuo e prolongado.
Efeitos colaterais: Irritação gástrica.
Contra indicações: Gravidez, lactação e portadores de doenças gástricas (gastrites, úlceras, etc).
Lembramos que as informações aqui contidas, terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fonte principal de consulta: ''Plantas aromáticas e medicinais - cultivo e utilização''. Paulo Guilherme Ferreira Ribeiro e Rui Cépil Diniz. Londrina: IAPAR, 2008.


