Considerações iniciais: Lembramos que os nomes populares das diversas plantas medicinais, que tenho apresentado nesta coluna nos últimos anos, devem ser considerados apenas como ‘‘apelidos’’, variando muito conforme a região. A mesma planta pode apresentar diversos nomes populares, e às vezes, o mesmo nome popular serve a diversas plantas.
  Aproveitamos a planta de hoje para exemplificar este problema que enfrentamos na fitoterapia. A arnica que trataremos aqui (Arnica montana), nada tem a ver com as ‘‘arnicas brasileiras’’, de nomes científicos Solidago microglossa e Porophylum ruderale, entre outras. As semelhanças entre elas são algumas de suas indicações e a contra-indicação para uso interno. Sempre que possível, devemos saber o nome científico da planta em questão, para não ‘‘comprarmos gato por lebre’’.


Aspectos botânicos: Planta aromática e perene da família das Compostas (Asteraceae), com altura entre 20 e 60 cm, talo com poucas ramificações e em cuja base se encontra uma roseta de folhas lanceoladas sobre o solo. As flores são amareladas aparecendo em meados do verão e início do outono. Apresenta ainda um pequeno fruto pardacento.
Nativo da Europa central e meridional, Ásia central e América do Norte, em zonas montanhosas, solos ácidos, arenosos e ricos em húmus. Atualmente é uma das espécies protegidas na Itália, Espanha e Suíça;
Nomes populares: Arnica, tabaco de montanha, betônica de montanha, mountain arnica (Ingl), arnique (França), arnica (Itália e Portugal).
Histórico: Suas propriedades terapêuticas já eram conhecidas pelas primitivas tribos germânicas. Seu nome talvez provenha da palavra grega arnakis (pele de cordeiro), devido a textura suave de suas folhas. Junto com a calêndula, era utilizada para o preparo de pomadas para cicatrização de feridas dos gladiadores nos circos romanos.
Foi descrita inicialmente por Matthiolus e foi empregada pela medicina popular alemã do século XVI. Goethe (1749 - 1832) tomava chá de arnica para tratar sua angina. Na França foi costume fumar suas folhas ou aspirá-las como rapé. Na Alemanha, seu uso interno para o tratamento de doenças cardíacas persiste até os dias de hoje, porém, nos Estados Unidos, Inglaterra e outros países (incluindo o Brasil) somente se recomenda o uso externo.
Usos terapêuticos: Antiinflamatório, analgésico tópico e rubefasciente (traumatismos, entorses, artrites, nevralgias, hematomas), antialérgico, anti-eczematoso, adstringente, anti-bacteriano e anti-micótico.
Princípios ativos: Óleos essenciais, álcoois terpênicos, ácidos fenólicos, carotenóides, flavonóides, taninos, cumarinas, sais de magnésio, etc.
Partes utilizadas: Flores.
Formas de uso e dosagem:
- Uso interno: desaconselhado, exceto em homeopatia, onde a diluição infinitesimal evita sua toxicidade, podendo ainda ser utilizado tanto em quadros agudos como crônicos;
- Uso externo: tintura (10%) em álcool comum ou de cereais, utilizada diluída em água para banhos e compressas, ou aplicada através de massagem nas áreas afetadas. Em diluições maiores, pode ser empregada para bochechos e gargarejos. Infusão a 2-4% também para aplicação local.
Obs: pode ser associada a outras plantas, como calêndula, cânfora, menta, erva-baleeira e outras.
Tempo de uso: Sem contra-indicações ao uso prolongado nas formas de uso indicadas.
Efeitos colaterais: irritação no local da aplicação em pessoas sensíveis.
Contra-indicações: Contra-indica-se o uso interno em qualquer situação (exceto em homeopatia), pelo potencial tóxico elevado, podendo levar a náuseas, vômitos, dor abdominal, tonturas, hiporreflexia, alucinações e até a morte.
Lembramos que as informações aqui contidas terão apenas finalidade informativa, não devendo ser usadas para diagnosticar, tratar ou prevenir qualquer doença, e muito menos substituir os cuidados médicos adequados.
Fontes principais de consulta: ''Tratado de fitomedicina - bases clínicas e farmacológicas''. Dr. Jorge R. Alonso - Editora Isis. 1998 - Buenos Aires - Argentina.

mockup