Criado com o objetivo de reduzir o número de aplicações de defensivos agrícolas no Paraná, o programa Plante o Seu Futuro já tem dado resultados. Na safra 2013/14, nas unidades que receberam assistência técnica por meio da campanha, a média de pulverizações nas lavouras de soja chegou a 2,4, enquanto a média do Estado é 5. A campanha, criada pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em parceria com instituições estaduais, também incentiva o uso adequado de EPIs e práticas sustentáveis de produção.
Segundo José Tarciso Fialho, coordenador do programa, o foco da campanha é fortalecer as boas práticas na agricultura informando os produtores. Ele destaca que o Paraná era exemplo na conservação do solo mas, com o passar dos anos, houve um excesso no uso do agrotóxico no Estado, além da mistura de vários produtos em uma mesma calda, o que pode tornar o defensivo mais tóxico.
Essa ação, avalia ele, prejudica tanto o meio ambiente quanto a saúde do aplicador. No primeiro momento, conta Fialho, a campanha focou no manejo integrado de pragas (MIP) e de doenças (MID).
Uma das fases da campanha foi mostrar ao produtor que nem sempre é necessária a intervenção química. Os dias de campo também mostraram aos agricultores como usar o pano de batida para contar os insetos. Dependendo do tanto de animais encontrados por metro linear, não há necessidade de aplicação de agrotóxicos.
O resultado do programa, direcionado primeiramente para a safra 2013/14, foi satisfatório. Fialho afirma que nas propriedades que receberam assistência, o tempo da primeira aplicação passou de 22 dias pós-plantio (média do Estado) para o 57° dia. "Praticamente dobramos os dias da primeira entrada de agrotóxico", comemora. "Caso o MIP e o MID fossem implantados em todo o Paraná, o que seria um pouco utópico, essa redução chegaria a uma economia de R$ 2 bilhões", diz.
Segundo o coordenador, a partir de agora, a campanha irá focar em novas tecnologias de aplicação. Para ele, o uso do bico pulverizador e a velocidade inadequada resultam em aplicações ineficientes. Outro problema é a deriva, que prejudica lavouras vizinhas e a saúde de comunidades próximas. "Ainda vamos chegar com a campanha na prevenção com os agrotóxicos", revela. (R.M.)

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