Planta é da família da juta
No Brasil, a planta é desconhecida pelo nome morféia. A espécie mais parecida cultivada aqui tem destino bem diferente daquela consumida em larga escala pelos japoneses: trata-se da juta, cultivada acima de tudo no Norte do País para obtenção de fibra. Segundo Paulo Guilherme Ribeiro, pesquisador da área de Fitotecnia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o vegetal (que tem o nome científico de Corchorus olitorius) é conhecido há muitos séculos pelos egípcios, que a cultivavam à margem do Nilo. Era cultivada também pelos indianos.
Atualmente, tudo indica que o seu principal destino no mundo é a obtenção de fibras. Em determinadas regiões da Índia é utilizada, inclusive, na cobertura de moradias. Seus caules e troncos também servem como lenha, além de serem muito usados em cercas. A espécie é da família dos hibiscos, por isso apresenta riscos de pragas similares, como o nematóide (o mesmo que ataca o café). Inclusive é preciso cuidado, pois alguns hibiscos são hospedeiros do bicudo do algodão, alerta Paulo Guilherme.
Do ponto de vista medicinal, a única informação que consta no banco de dados científicos do Iapar (que reúne trabalhos publicados no mundo todo) é seu efeito positivo sobre o controle do colesterol. Em determinadas regiões, a planta é cultivada no fundo do quintal para que as folhas - ricas em vitamina C - sirvam de alimento, tanto humano como animal. Porém, as sementes têm substâncias de efeito tóxico nos ruminantes, causando danos no coração destes animais, afirma o pesquisador.
Como a espécie ainda é novidade por aqui, o produtor Yukio Fukuda forneceu algumas sementes da planta para os pesquisadores do Iapar, que no momento acompanham seu comportamento nos canteiros do Instituto. Segundo Paulo Guilherme, o desenvolvimento vegetativo, até agora, foi bastante satisfatório. (S. L.)





