Plano visa revitalizar a cafeicultura no Paraná
Área cultivada, que chegou a 1,8 milhão de hectares em 1962, caiu para 25 mil hectares em 2025
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sábado, 10 de outubro de 2026
Área cultivada, que chegou a 1,8 milhão de hectares em 1962, caiu para 25 mil hectares em 2025
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Está em fase final de elaboração o Plano Estadual de Desenvolvimento da Cafeicultura do Paraná, documento que prevê ampliar a área plantada de 25 mil para 85 mil hectares até 2038. A previsão é que o plano seja lançado até novembro.
A cafeicultura perdeu força ao longo das décadas no estado: a área plantada chegou a alcançar 1,8 milhão de hectares em 1962.
Ainda assim, em 2025 a produção ficou em torno de 745 mil sacas beneficiadas e o VBP (Valor Bruto da Produção) do café alcançou aproximadamente R$ 1,4 bilhão. A atividade é desenvolvida por 4,8 mil famílias no estado, com forte presença da agricultura familiar.
A Câmara Setorial do Café, da qual o Sistema Faep faz parte, elaborou a atualização do plano, entregue no início de setembro à Seab (Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento).
O plano estabelece uma estratégia de fortalecimento da cafeicultura paranaense a longo prazo, com foco em ampliar a área cultivada, elevar a produtividade, aumentar a produção e melhorar a qualidade do café produzido no Estado.
Também há metas relacionadas à mecanização das lavouras, ampliação da assistência técnica e aumento da participação dos cafés especiais, sempre buscando tornar a atividade mais competitiva e sustentável.
O plano é resultado de uma construção coletiva no âmbito da Câmara Setorial do Café do Paraná. Participaram desse trabalho representantes da Seab, do IDR-Paraná, do Sistema Faep, da Fetaep (Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná), de sindicatos rurais e de trabalhadores rurais, prefeituras e entidades representativas dos produtores, além de profissionais que atuam diretamente na cafeicultura.
A primeira versão do plano foi concluída em 2022. “Desde então, a própria evolução da cafeicultura e as mudanças no cenário produtivo mostraram a necessidade de revisar alguns números, prioridades e estratégias, o que levou ao processo de atualização realizado neste ano”, explica Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.
O plano é uma proposta do setor produtivo. A partir de agora, cabe ao governo do Estado avaliar a viabilidade e os instrumentos para sua implementação.
“O plano aponta um conjunto de ações voltadas à modernização da produção, fortalecimento da assistência técnica, pesquisa, mecanização, acesso a crédito, segurança produtiva, melhoria da qualidade e comercialização. A proposta é criar condições para que a cafeicultura volte a crescer de forma estruturada, com mais tecnologia, menor risco para o produtor e maior capacidade de geração de renda.”
Sobre a retração do café no Paraná nos últimos 60 anos, as geadas tiveram um peso histórico muito grande, mas não explicam sozinhas essa retração.
“Ao longo das décadas, o café passou a disputar área com culturas anuais altamente mecanizadas, houve períodos de preços pouco atrativos, aumento dos custos e a dificuldade crescente de mão de obra. Também tivemos uma redução da estrutura de assistência técnica e de comercialização voltada especificamente ao café.”
Hoje o produtor enfrenta desafios importantes relacionados aos riscos climáticos, custos de produção, escassez de mão de obra e necessidade de mecanização.
“Também são fundamentais o acesso à assistência técnica, ao crédito e a instrumentos de proteção da renda. Superar esses gargalos é essencial para dar mais segurança ao produtor, estimular investimentos e garantir a sustentabilidade da atividade no longo prazo”, conclui.
AMPLIAÇÃO
Com propriedades em Pinhalão e Tomazina, a cafeicultora Maristela de Fátima da Silva Souza cultivou café em 2 hectares neste ano. Para o ano que vem, a expectativa será triplicar a área de produção, alcançando 6 hectares de café tradicional e especial.
“A produção do estado está crescendo muito, inclusive a produção do café especial. Pelo menos para mim posso dizer que é valorizado, tenho vários clientes de cafeteria e também exporto para a Holanda”, pontua.
No entanto, mesmo havendo mercado, a produtora diz não ser possível produzir muito mais café especial. “Isso devido às situações climáticas que sofremos todos os anos. Por exemplo, ano passado perdemos metade da produção, lavouras com geada, e esse ano tivemos muita chuva em época de colheita.”
Para equilibrar a balança, a produtora diz que o café tradicional precisa ter um valor acessível ao público. “Porque é o que vai pagar as contas no final do ano referentes aos investimentos. É o café que mais produz, mesmo com geadas e chuvas intensas”, aponta.


