Se o bovinocultura de corte ganhou fôlego interessante nos últimos dois anos, ela também precisa evoluir em alguns gargalos que a atividade possui no Estado. Diante disso, uma iniciativa da Comissão de Bovinocultura de Corte da FAEP, em parceria com outras instituições, pretende fortalecer e modernizar a pecuária paranaense. O Plano Integrado de Desenvolvimento da Bovinocultura de Corte foi lançado em meados deste ano e tem objetivos bem audaciosos.
A expectativa é consolidar o Paraná como o melhor produtor de carne bovina do Brasil, promovendo a evolução do segmento em gestão, tecnologia e qualidade do produto final. Em uma década, o intuito é transformar a atividade e fomentar uma pecuária de corte de alto padrão no Estado, com regularidade de oferta e segurança alimentar.
Entre os pontos específicos, objetiva-se o aumento de 65% para 75% na taxa de natalidade média do Estado, possibilitando uma oferta de cerca de 480 mil bezerros a mais anualmente. Almeja-se também elevar a produção de carcaças para 210 quilos por hectare/ano, já que hoje a média paranaense é de apenas 137. Já em relação a taxa de ocupação, a ideia é um salto de alojamento de 1,4 cabeças por hectare/ano para 2 cabeças por hectare/ano.
E como todo o trabalho tem um início, a primeira parte foram os fóruns regionais em pecuária de corte por meio de 16 seminários em cidades estratégicas abrangendo 1,1 mil pessoas. Para 2016, a ideia é escolher propriedades referências, que serão trabalhadas por técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), levando tecnologias e informações para toda a região onde estão alocadas. "Os treinamentos do Senar para capacitação e uniformização de tecnologias irão começar logo. Assim, diversas propriedade serão abertas para treinamentos, avaliações e, no futuro, dias de campo. Os pecuaristas estão querendo acesso mais rápido a tecnologias e sistemas produtivos diferenciados", explica o presidente da Comissão de Bovinocultura de Corte da Faep, Rodolpho Luiz Werneck Botelho.
Um dos principais gargalos que necessitam ser trabalhados, segundo o pecuarista, está ligado a alimentação dos animais, ou seja, olhar para o pasto. "Os pecuaristas precisam trabalhar o pasto como se fosse uma atividade agrícola, com adubo e calcário. O Iapar, inclusive, faz um trabalho em áreas declivosas e conquistou grandes resultados nos sistemas produtivos. Este é o gargalo central que temos de atacar: uma formação de pastagem de qualidade. Outro ponto é a melhor gestão do negócio", destaca Botelho. (V.L.)

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