Dois fungos, o Bauveria basciana e o Paecilomysis fumosoroseus poderão ser a solução biológica para o controle da mosca-branca (Bemisia argentifolii), uma crescente fonte de preocupação e prejuízos para produtores de algodão, feijão, abóbora, melão, tomate, melancia e plantas ornamentais. Desde 1991, quando a praga foi dectetada pela primeira vez, sendo identificada então como Bemisia tabaci, ela causou danos calculados em mais de R$ 1 bilhão.
Neste mês o Governo anunciou que liberará recursos de R$ 2,5 milhões, para executar o Programa Nacional de Controle da Mosca-Branca, uma das
pragas mais temidas nos últimos dois anos. O programa baseia-se em estudos feitos pelo Centro Nacional de Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), órgão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
MonitoramentoA entomóloga Regina Vilarinho, do Cenargen, informou que o programa começará com o monitoramento da mosca-branca;
visitas a produtores rurais, para informar sobre os meios de combate e
prevenção; avaliação do impacto sócio-econômico nos Estados onde a mosca
foi detectada, e reforço na pesquisa, para que se conheça mais sobre o
comportamento do inseto e como combatê-lo.
Regina Vilarinho foi quem levou ao Cenargen, em Brasília, material sobre a mosca-branca, coletado por ela em Pernambuco, Ceará, Bahia e Paraíba. Esse material possibilitou o estudo que agora orientará a campanha nacional de controle da praga.
‘‘Queremos encontrar um meio de controle biológico mais eficiente’’, afirma a agrônoma Myrian Tigano, que está trabalhando desde o início de 1997 na
identificação do material (exemplares da mosca) coletado por Regina Vilarinho no final do ano passado.
Atualmente, o controle da praga é feito somente com manejo integrado. Os técnicos recomendam que o produtor alterne as culturas, quando constatar a presença da praga. A planta hospedeira - ensina Vilarinho - deve ser eliminada e substituída por uma cultura não hospedeira.
ResistênciaApesar de ter sido encontrada somente em algumas culturas como a de feijão, soja, algodão, melão, melancia, tomate, pimentão e plantas ornamentais, no Brasil já foram identificadas mais de 700 espécies de plantas hospedeiras.
Resistente a agrotóxicos, o inseto se multiplica numa velocidade nunca vista
pelos entomólogos que o estudam. Seu tempo de maturação - desde a postura
dos ovos, passando pelas fases de pupa e ninfa, até chegar ao inseto adulto -
pode levar 14 dias, quando o normal seria o dobro. Altas temperaturas e
excesso de umidade apressam a chegada o ciclo de vida e o atingimento da fase adulta.
A mosca-branca é uma preocupação no Brasil e no Exterior. Tanto que a Embrapa promoveu no mês passado em sua sede, em Brasília, um encontro internacional para discutir a questão. A praga tem o nome popular de mosca-branca-da-folha-prateada, por deixar a parte inferior das folhas da aboboreira com manchas em tom prata. No tomate e no pimentão ela causa amadurecimento irregular do fruto, podendo até resultar em perda total da produção. Em 1995, no município
baiano de Iaçu, foram registradas perdas de 50 a 100 por cento depois do ataque da mosca.
O inseto atingiu também, maciçamente, as culturas de feijão e algodão no Estado. No mesmo período, a área plantada de feijão em Barreiras (BA) era de 35 mil hectares. Restam pouco mais de 25 mil hectares plantados. Os prejuízos com o algodão foram maiores e a área cultivada baixou de 250 mil hectares para 170 mil hectares.
El Ni¤oNo encontro realizado na sede da Embrapa, em novembro, o pesquisador Janduí Soares, do Centro Nacional de Pesquisa do Algodão, chegou a demonstrar sua preocupação de que os produtores do Estado abandonem a cultura. Ele prevê que, em 1998, com a probabilidade do aumento de temperatura em toda região Nordeste, devido à influência do El Ni¤o, a mosca se prolifere mais rápido e, consequentemente, em maior quantidade.
A rapidez com que a mosca-branca vem infestando regiões antes intocadas
tem espantados os técnicos. Regina Vilarinho, em sua apresentação sobre a
necessidade de implantação do programa de controle do inseto, mostrou ao
ministro da Agricultura, Arlindo Porto, um mapa onde se viam vários Estados livres da praga. ‘‘Só se pode destacar praticamente Rio Grande do Sul
e Rondônia, ainda que digam que Espírito Santo, Mato Grosso e Santa
Catarina também não tenham’’ (a praga), afirmou.

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