Na semana em que se comemorou o Dia Mundial do Meio Ambiente, o setor agropecuário brasileiro mostra que a preservação ambiental começa a ser uma preocupação dos agricultores. Tanto é, que o número de adesões ao Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), que tem por objetivo levar ao campo técnicas conservacionistas de produção, alcançou, desde a sua criação, 14 mil contratos, totalizando R$ 4,46 bilhões em financiamentos. O programa, firmado durante o Plano Agrícola e Pecuário da safra 2010/11, registrou em três anos, um crescimento de 507% na aquisição de empréstimos destinados aos produtores.
Durante o anúncio do plano safra, o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, afirmou que o financiamento voltado ao desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira continua prioritário entre as modalidades de crédito fomentadas pelo governo federal. Para o ABC, o volume de recursos saltou de R$ 3,4 bilhões para R$ 4,5 bilhões, com taxa de juros mantida em 5% ao ano.
No Paraná, entre julho de 2012 a abril de 2013, foram firmados 770 contratos, a um total desembolsado de R$ 168 mil, segundo dados do Ministério da Agricultura. Renato Viana, coordenador do Plano ABC no Estado, afirma que o projeto coloca o Brasil na vanguarda da agricultura de baixo carbono. Segundo ele, o País é o único do mundo a criar um sistema como este. A capacitação de técnicos e produtores quanto às boas práticas de produção é, de acordo com o especialista, o segredo para o crescimento do plano. "Só no ano passado, o Paraná capacitou mais de 300 técnicos em cursos relacionados ao sistema de produção conservacionista", descreve o coordenador.
Desde a criação do programa, mais de 4 mil pessoas, entre técnicos e produtores, foram capacitados no Estado. A maioria dos cursos, relata Viana, está relacionada à aplicação adequada de tratamento de dejetos, recuperação de pastagens, correta manutenção do sistema de plantio direto, entre outras ações que minimizam o impacto sobre o meio ambiente. "O plano visa levar a sustentabilidade a todas as cadeias produtivas", completa.
Viana relata que a maior dificuldade é com relação à recuperação de pastagens. "Muitos pecuaristas ainda são reticentes em relação à recuperação de áreas degradadas." Mas o coordenador acrescenta que esse problema já começa a ser trabalhado. Segundo ele, o grupo de trabalho do ABC no Paraná está articulado para isso, principalmente com a opção do uso da integração lavoura-pecuária-floresta, que traz benefícios econômicos e ambientais para quem implanta. Além disso, Viana completa que a assistência técnica também procura fomentar o uso da adubação verde, rotação de cultura e cultivo em nível.
O programa de crédito tem sido difundido no País por intermédio dos Grupos Gestores Estaduais (GGEs) do Plano ABC, que já foi implantado nos 26 estados da federação e no Distrito Federal. O último a ser formado foi o GGE do Acre, no dia 22 de maio deste ano. Já foram capacitadas mais de 8,9 mil pessoas. Desse total, 70% são profissionais de áreas técnicas.

Compromisso
Durante a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-15), realizada em 2009 na cidade de Copenhagen (Dinamarca), o Governo brasileiro assumiu voluntariamente o compromisso de reduzir as suas emissões de Gases de Efeito Estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020.

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