Segundo o engenheiro agrônomo Antonio Celso Souza, gerente técnico da Emater, a maioria dos agricultores paranaenses trabalha com grãos que, se comparado à fruticultura, é mais afetado pelas oscilações climáticas, de preço e de sanidade.
  ‘‘Os agricultores têm se mobilizado para obter soluções imediatas aos problemas financeiros, o que é bastante válido, mas eles não podem esquecer também dos problemas estruturais, que acometem a atividade a médio e longo prazo’’, diz.
  Entre esse problemas, o agrônomo cita a redução da margem de lucro dos produtores – decorrente da pressão das multinacionais fornecedoras de insumos – e a relação renda x área, ligada ao uso de tecnologia. A saída apontada pela assistência técnica, de acordo com Souza, é o remanejamento da propriedade rural. ‘‘Só assim o produtor terá maior rentabilidade e ficará menos suscetível às oscilações de preço e clima’’, afirma.
  No Paraná, a Emater sugere a fruticultura, a olericultura, a produção comercial de madeira, a agroindústria, o turismo rural e a criação de caprinos e ovinos como possíveis alternativas para as pequenas propriedades. ‘‘Sempre respeitando as características geográficas, climáticas e culturais das diferentes regiões do Estado’’, assinala Souza.
  Na região de Cornélio Procópio, o gerente regional da Emater, Manuel Pessoa de Lira, aponta a fruticultura, o café, a madeira e a piscicultura como principais formas de diversificação e complementação da produção de grãos. A meta regional é cultivar 4 mil hectares (ha) com laranja, 1,3 mil ha com uva para suco, 5 mil ha com café, além de uma área de uva para vinho, em São Jerônimo da Serra. ‘‘A idéia não é abandonar a soja ou o milho por completo e sim destinar 20% da área produtiva do sítio para um novo cultivo’’, declara Lira.
  Muito do trabalho da assistência técnica é limitado pela falta de recursos governamentais, completa o gerente. Segundo ele, o endividamento do produtor também compromete a obtenção de crédito para custeio de novas safras. ‘‘Além de diversificar, os produtores precisam se unir em grupos, até mesmo informais, para negociar melhor a compra de insumos e a venda da produção’’, complementa o agrônomo Antonio de Souza.
  Para ele, ainda falta raciocínio estratégico ao agricultor paranaense. ‘‘Ele tem que planejar a produção com base na média dos preços praticados no mercado. Também é importante que ele invista sempre em tecnologia e qualidade para agregar valor na venda’’, declara.

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