Planejamento sólido
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sábado, 27 de janeiro de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem Local 

Sexto maior produtor de café do País - fechando com produção de 1,21 milhão de sacas ano passado e 2,7% do volume nacional , o Paraná ainda tem muito o que evoluir em relação ao manejo e produtividade da cultura. Em busca de um planejamento sólido para que isso aconteça no próximo biênio, o Instituto Emater trabalha, desde meados do ano passado, em parceria com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) no "Projeto Piloto do Café", que irá possibilitar o atendimento de 1 mil famílias de cafeicultores em 33 municípios do Estado até 2020.
Nesta semana, boa parte dos técnicos responsáveis estiveram reunidos em Londrina para discutir as próximas ações do trabalho, que já começa a ganhar forma. O recurso investido pela Anater é de R$ 6,23 milhões apenas no Paraná. No Brasil, ultrapassa R$ 50 milhões. Vale dizer ainda que a Agência foi instituída pelo decreto 8.252 de 2014 e se trata de pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, de interesse coletivo e utilidade pública.
O coordenador do projeto e engenheiro agrônomo da Emater, Cilésio Abel Demoner, explica que os grandes objetivos estão ligados ao incremento de produtividade dos cafeicultores, redução dos custos de produção, sustentabilidade das lavouras e comercialização do produto. "Queremos saltar a produtividade de 26 sacas por hectare para 40 sacas por hectare até 2020 (algo em torno de 53%) nestas propriedades atendidas", projeta Demoner.
Para atingir esse montante, digamos, audacioso, a metodologia de trabalho inclui inúmeras ações que serão realizadas pelos técnicos distribuídos pelo Estado. Entre algumas delas que já estão programadas para este ano estão capacitações técnicas, intercâmbios, encontros estaduais e regionais, reuniões, dias de campo, formação de grupos de mulheres, entre outras. "Ao longo dos últimos quatro anos, em chamadas públicas com outras instituições como o extinto MDA e Embrapa Café, já tivemos algumas áreas com excelentes resultados, desenvolvendo nichos de cafeicultores com altas produtividades."
Um dos gargalos, segundo Demoner, continua sendo o preparo dos cafeicultores para a mecanização, com estratégias que fazem toda a diferença para a evolução da atividade. "A mecanização ajuda a reduzir os custos de produção e gera uma melhor produtividade, porque o produtor já planta com tecnologia". Segundo ele, atualmente 15% dos produtores atendidos pela Emater já estão com áreas preparadas para a mecanização, algo que há quatro anos era nulo. "É um trabalho que precisa ser feito por etapa. A evolução passa pelo espaçamento (na lavoura), utilização de (novas) variedades, preparo de solo, boas práticas agrícolas..."
Por fim, Demoner cita que a Emater também fechou uma parceria com a P&A, empresa que coordena no Brasil uma Plataforma Global do Café que vislumbra a sustentabilidade da cultura, associada a melhor renda, diminuição de custos, fortalecimento de parcerias e alinhamento de iniciativas que aconteciam de forma isolada.


