Planejamento é a alma do negócio
''Antes de plantar, o agricultor deve saber qual mercado quer atender e se é rentável''. A orientação é do professor da Esalq/USP, Carlos José Caetano Dacha, que acrescenta que no Paraná, a agricultura tem garantido um grande suporte para aqueles que produzem madeira para lenha e também torinha, voltada para as indústrias de móveis. O produtor José Adauto Fernandes de Mendonça, da região de Ortigueira, descobriu os benefícios e a rentabilidade da silvicultura há seis anos. O agricultor aponta que valeu a pena os investimentos aplicados na lavoura e a paciência para esperar a cultura crescer.
''Depois do sexto ano, já com a floresta formada, o rendimento é garantido'', explica Mendonça. O produtor, destinou 145 hectares da sua propriedade para o plantio de eucaliptos. O produtor destaca que a venda de lenha para as agroindústrias e de torinha para o setor de móveis são ótimos negócios.
Hoje, o produtor chega a colher 333 toleladas de madeira por hectare/mês. Diferente de outras culturas, Mendonça frisa que para manter uma rentabilidade contínua, o interessado nesse mercado necessita de planejamento. Para garantir renda todo o ano, o produtor utiliza uma escala de plantio. Ou seja, a cada corte, a árvore é imediatamente substituída. ''A rebrota é prioritária nesse processo. Isso garante que o ciclo da atividade não se quebre'', frisa. Mendonça completa que além da substituição imediata, ele possui diferentes talhões com árvores de idades diferentes.
O produtor garante que a rentabilidade da atividade é superior à da pecuária, da soja e do milho. Mendonça chega a comercializar a torinha por R$ 110 a tonelada e a lenha por R$ 85 a tonelada. Ele acrescenta que o custo de produção da atividade é alto somente no primeiro ano. Por hectare, o agricultor gasta pouco mais de R$ 4 mil. ''O investimento é mais pesado no início, principalmente com adubos, mudas, mão de obra, entre outros'', completa.
Com o devido planejamento, o produtor escoa um caminhão de até 20 toneladas por semana. Devido à alta rentabilidade do segmento, Mendonça está se especializando na prestação de serviços de plantio de florestas a terceiros. Ele explica que aproveita o período de espera no desenvolvimento de sua plantação para garantir uma renda extra. Com relação à produção de celulose, o silvicultor explica que não conhece muito o mercado, por isso é preciso pesquisar um pouco mais sobre o assunto. ''Se o setor tiver boa rentabilidade, eu posso investir sim'', destaca. (R.M.)





