Planejamento como sinônimo de segurança
O produtor rural Sérgio Chinaglia, do Sítio Boa Sorte, em Cambé, resume em uma palavra, o principal ganho de fazer uso de um planejamento estratégico: "segurança". "Faz cinco anos que começamos a levar a sério esse cuidado com o planejamento e isso transformou a nossa realidade, já que passamos a trabalhar com segurança, plantando com o custo já coberto, sabendo exatamente o que vai ter e como vai pagar, mesmo com tantos riscos envolvendo a agricultura", reconhece.
O processo, segundo ele, envolve desde a escolha da variedade que vão plantar, até a data do início do plantio que pode interferir na cultura da outra estação. Por fim, a comercialização e a trava dos custos da próxima safra, descreve ele que já contabiliza um crescimento de 20% na produtividade e nos ganhos desde que adotou um plano para o seu negócio.
Cultivando soja, milho e trigo em uma área de 280 hectares, nesta safra Chinaglia optou por abrir mão do trigo, para cultivar uma área maior do milho safrinha. "O trigo não tem incentivo algum, até parece que o governo esquece que precisamos fazer pães e bolachas. Como minha comercialização é 100% voltada para o mercado interno, decidi cultivar toda área com milho no inverno, até porque os estoques estão muito baixos", explica. Outra atividade que ele passou a investir, seguindo a orientação de diversificar a produção, foi a criação de aves. "Fazemos a criação para umas das grandes players do setor, que garante todos os insumos", informa.
Na Fazenda Takaki, também em Cambé, o produtor Ricardo Amano atribui ao planejamento a sustentabilidade do negócio que é conduzido pela família há duas gerações, em uma área cultivada de aproximadamente 400 hectares. "Trabalhamos com muito pé no chão, até porque não queremos depender de muita mão de obra e precisamos saber o quanto será necessário para cobrir custo de produção e ter algum rendimento." Este ano, com a quebra da safrinha de milho devido à geada, ele diz que a aposta está no trigo, apesar de terem plantado pouco. Mas na cultura de verão a opção será 100% soja. "Já travamos todo o custo da produção de soja, pois a conta tem por objetivo colher mais que o dobro das sacas que vão cobrir os insumos e as sementes, para que tenhamos um bom fim de ano", revela Amano.
Tanto Chinaglia quanto Amano admitem que a rentabilidade da produção ainda está baseada quase que totalmente na comercialização da produção e não em resultados financeiros com os valores obtidos na venda. "Nem 10% deixo na poupança, pois estamos sempre reinvestindo na melhora de todos os processos, inclusive correção de solo, etc, para garantir mais produção", justifica Amano. (M.M.)





