Piscicultura é rentável e acessível como a avicultura
''A piscicultura no Brasil tem potencial para se tornar uma atividade rentável e acessível como a avicultura''. A afirmação é do engenheiro agrônomo Ricardo Neukirchner, um dos proprietários da Piscicultura Aquabel, de Rolândia, maior laboratório de produção de alevinos do País.
A abertura de novos frigoríficos como o da Copacol, na opinião de Neukirchner, tende a melhorar a oferta e baixar o preço do produto para o consumidor, facilitando assim a introdução do alimento na dieta da população com mais constância.
O empresário acaba de assumir a diretoria de Aquicultura da Sociedade Rural do Paraná, criada este ano com o objetivo de fomentar a atividade, além de profissionalizar produtores e contribuir para a legalização das propriedades.
A produção de peixes, segundo o agrônomo é uma atividade relativamente nova, que surgiu mais voltada ao lazer e à produção de subsistência, e depois para atender a demanda dos pesque-pagues. O surgimento dos frigoríficos tem popularizado a piscicultura. Apesar do potencial comercial, a legislação é apontada por Neukichner como principal entrave. Há muito conflito entre o que determina a lei federal e a estadual, diz ele, especialmente aqui no Paraná. Este ano a publicação da Resolução 02/2008 está permitindo a liberação de licenças para criatórios já instalados.
Para a tilápia - na atualidade a melhor espécie para a produção em grande escala - os conflitos são ainda maiores. Por não ser um peixe nativo, classificado como espécie exótica há quem o coloque como uma ameaça à fauna do estado. ''Documentos do próprio Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) declaram a tilápia como espécie já estabelecida nos rios de todo o País'', informa Neukirchner.
''A tilápia não é um peixe carnívoro, assim, não pode ser considerado um predador'', garante. Outra característica que a afasta do risco de ameaça ou de competição com outras espécies, de acordo com o empresário, é a de viver nas áreas de águas rasas dos rios.
Entre as características comerciais do peixe o diretor da Aquabel lista o rápido crescimento, menor custo de produção, resistência a doenças e o excelente filé sem espinhos retirado dele - corte de interesse para a indústria. ''Fora do Brasil a tilápia é o peixe economicamente mais trabalhado, é uma commodity'', afirma.
Neukirchner derruba ainda o argumento de a atividade ser poluidora. ''O cultivo tanto em tanques redes como em represas escavadas tem baixa densidade populacional e não gera poluição'', garante. Ele lembra ainda que o próprio Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) considera a piscicultura como uma atividade de baixo impacto. ''A produção comercial de peixe não é também considerada uma consumidora de água, apenas usuária'', reforça.
O empresário destaca que a tilápia é uma das poucas espécies que resistem a água de qualidade ruim. ''A atividade depende 100% de água, somos, então, os primeiros a nos preocuparmos com a qualidade dela. As regras determinadas pela Lei, são as principais garantias para uma produção segura. A burocracia para a atividade no estado, faz com que o Paraná deixe de ofertar muitos empregos e perca milhões em renda'', conclui. (C.G.)





