Apontado como potencial líder na produção mundial de pescado no futuro, o Brasil ainda enfrenta entraves burocráticos e falta de investimentos para apoiar os piscicultores interessados em ampliar a produção. Mesmo assim, os produtores estão otimistas diante do mercado consumidor em franca expansão, impulsionado pelo aumento da renda da população e pelo crescimento na demanda por proteína animal e por alimentos saudáveis.
Dados do Ministério da Pesca e da Aquicultura indicam que a produção nacional de pescado em 2010 foi de aproximadamente 1,26 milhão de toneladas, sendo que 38% desse total são cultivados. A atividade gera um PIB de R$ 5 bilhões, envolve 800 mil profissionais e reúne 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos. A estimativa da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) é de que o Brasil tem condições de alcançar uma produção pesqueira de 20 milhões de toneladas até 2030. O levantamento aponta um incremento 60,2% na piscicultura entre 2007 e 2009.
No Paraná, a produção total de pescado em 2010 foi de 41,6 mil toneladas, incluindo a piscicultura e a pesca extrativista. Entretanto, o engenheiro de pesca do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Luiz Eduardo Guimarães de Sá Barreto, revela que no Estado, a Bacia do Paranapanema tem potencial para produção de 400 mil toneladas por ano. Apesar do potencial ainda ser pouco explorado, Barreto acredita que o Paraná pode quadriplicar a produção em médio prazo graças ao mercado aquecido. ''As perspectivas para o setor são positivas, mas ainda enfrentamos entraves burocráticos'', lamenta. Entre os entraves a que se refere estão a dificuldade para obtenção do licenciamento ambiental e para concessão de crédito.
Outro gargalo, segundo o engenheiro, é a falta de assistência técnica especializada para atendimento aos produtores, principalmente no que se refere ao efetivo oficial do Estado, cujo quadro precisa ser fortalecido. Barreto lembra que a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) se comprometeu a contratar cerca de 500 técnicos para o Instituto Emater, com previsão de atendimento também para a área de piscicultura. No entanto, ainda não há previsão de quando ocorrerão as contratações.
Em relação à capacidade da indústria paranaense, o engenheiro garante que, de modo geral, os frigoríficos não atingem a capacidade útil por falta de pescado. Segundo Barreto, há um mercado latente, principalmente na alimentação escolar e industrial. ''O setor tem tecnologia, mas o produtor ainda precisa se capacitar. Quem quer trabalhar com produção de peixe precisa ser profissional. A atividade não permite a entrada de amadores'', orienta.
Na opinião do engenheiro de pesca do Instituto Emater, Luiz de Souza Viana, a demanda brasileira ainda é muito grande, tendo em vista que o País produz apenas 50% do que consome e precisa importar o restante. ''Precisamos agilizar a concessão de licenciamento ambiental, treinar produtores, capacitar e ampliar a assistência técnica especializada no Estado'', afirma Viana.
O superintendente do Ministério da Pesca no Paraná, José Antônio Faria Brito, defende o fortalecimento da cadeia produtiva de peixe no Estado. Apesar de ainda não possuir uma estratégia para promover o desenvolvimento da piscicultura no Paraná, Brito aponta a integração entre os elos da cadeia como uma das medidas a serem adotadas. ''Acredito que 90% dos problemas do setor possuem solução imediata junto à Superintendência e são eles que esperamos resolver em breve'', afirma. A princípio, o Estado vai promover a reestruturação da cadeia e a abertura de três novos escritórios regionais da Superintendência, com o intuito de verificar a situação da produção no Paraná e diagnosticar as demandas do setor.

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