O bom momento vivido pelo setor no Estado, com demanda em ascensão e excelentes perspectivas de lucros, está provocando uma união de esforços dos piscicultores paranaenses. Antes praticamente inativas, as associações de empreendedores estão retomando o fôlego para mergulharem fundo na atividade.
Presidente da Associação de Piscicultores de Tanque Rede no Paraná, Jefferson Osipi, diz que o setor está escrevendo uma nova página em sua história tanto no Brasil quanto no Paraná. Baseada em Cornélio Procópio - uma região que vem ganhando destaque na criação de peixes - a associação pretende colocar em funcionamento nos primeiros meses do próximo ano um frigorífico especializado no processamento da tilápia.
A unidade, construída com recursos dos governos federal, estadual e municipal, deverá ser gerenciada pelo sistema de cooperativa. ''Temos em torno de 60 produtores associados e estamos viabilizando a transformação da associação em cooperativa regional na tentativa de agregar valor à atividade e trabalhar todo o peixe, desde a carne até a carcaça'', destaca Osipi. O piscicultor ressalta que o frigorífico também é importante para diminuir a dependência com os pesqueiros, que hoje são responsáveis por entre 70% e 80% da renda dos piscicultores.
Na região de Londrina, a Associação Norte Paranaense de Aquicultores (Anpac) foi criada em 1994, mas agora começa a deslanchar de fato. A presidente Petra Maria Vagner reforça que as perspectivas são excelentes. ''Avalio que a região é muito promissora, até mais do que a Oeste (maior produtora do Paraná), porque aqui podemos usar tanto os tanques escavados como também utilizar os reservatórios das usinas hidrelétricas com os tanques rede, que é o que vai nos permitir ter uma produção constante, com maior controle e menos perdas'', argumenta.
A produção regional é estimada em cerca de 4 mil toneladas anuais. Pouco, admite Petra, em relação às potencialidades existentes. Mas ela acredita que a própria profissionalização que já é exigida pelo comprador pode fazer com que os produtores busquem se qualificar e investir na atividade. Ela diz que atualmente todo o peixe produzido é vendido, o que pode estimular o incremento da produção. E com excelente lucratividade. O quilo da tilápia, principal espécie trabalhada comercialmente, custa entre R$ 2,20 e R$ 2,30 para ser produzido e o produtor consegue negociar por até R$ 3,30. (L.A.)

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