Bandeirantes Uma reivindicação antiga dos piscicultores que exploram a bacia do Paranapanema foi atendida esta semana pelo governo estadual. Na última quarta-feira, os pescadores receberam as licenças ambientais que permitem o uso de tanques-rede na produção de tilápias no lado paranaense do rio.
O superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) no Paraná, Marino Ligio Gonçalves, destacou que a preocupação do governo era se a tilápia já era um peixe adaptado ao ecossistema do rio Paranapanema. ''A pesquisa estabeleceu que sim e o Ibama reconheceu que os pescadores estavam certos e resolveu liberar as licenças. No entanto, a liberação deveria ser feita pelo governo estadual'', disse.
Segundo o engenheiro agrônomo Jefferson Osipi, presidente da Associação dos Pisicultores em Tanques-Rede do Paraná (APTR), impedidos de produzir, muitos piscicultores atravessaram o rio para trabalhar em São Paulo, onde a cadeia é organizada. ''Chegar aqui não foi fácil, por isso este dia é muito especial para nós'', comemorou. Osipi, que teve seus tanques embargados em 2001, foi o primeiro a receber das mãos do secretário estadual do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, e do ministro da Secretaria Especial da Aquicultura e Pesca, José Fritsch, o documento que permite o seu retorno a atividade.
De acordo com o ministro, o Paraná foi o primeiro estado brasileiro a conceder licença ambiental para o uso de tanques-rede. ''Produtores de outros cinco estados também irão receber as licenças, mas fiz questão de iniciar a entrega no Paraná'', assinalou. Durante o IV Encontro de Piscicultores de Tanques-Rede da Bacia do Rio Paranapanema, ocorrido em Bandeirantes (34 km a leste de Cornélio Procópio), o ministro também assinou um convênio para a construção de um frigorífico de pescados em Cornélio Procópio. Segundo ele, o governo federal destinou R$ 529 mil para a compra dos equipamentos da indústria. O terreno e a obra ficarão a cargo da prefeitura municipal.
Para Jefferson Osipi, a obra é fundamental para completar a cadeia produtiva do município. ''Mais de 90% da nossa produção era comercializada em São Paulo porque não tínhamos onde vender o peixe por aqui'', apontou. Segundo o prefeito de Cornélio Procópio, Amin Jose Hannouche, a obra irá gerar cerca de 100 empregos diretos e 2 mil empregos indiretos na região.
José Fristch participou ainda da assinatura de um um convênio com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para a readequação do pólo regional de pisicultura, que envolve os municípios de Santa Mariana (16 km a leste de Cornélio Procópio), Itambaracá (46 km a leste de Cornélio Procópio), Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) e Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina). Os recursos também serão destinados à compra de 480 tanques-rede que irão beneficiar diretamente 120 famílias, além de repovoar os rios estaduais.
Segundo o secretário Aldair Rizzi, R$ 1,3 milhão foi destinado aos projetos, que serão realizados em parceria com a Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Faculdades Luiz Meneghel, de Bandeirantes. ''A UEL será responsável pela avaliação das águas e a UEM pela conservação do sêmen dos peixes, que serão utilizados pelo laboratório da Faculdade Luiz Meneghel na produção das pós-larvas que serão distribuídas aos pescadores para a produção de alevinos'', explicou.

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