O cultivo de camarão de água doce em consórcio com a tilápia está crescendo na região norte do Paraná. Exigente em manejo, o camarão deixa lucro suficiente para cobrir o custo da tilápia. Em 2002, apenas dois produtores de Assaí (36 km a leste de Londrina) participaram de uma experiência da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) com o objetivo de reduzir as despesas com ração. Este ano, 16 piscicultores já utilizam as pós-larvas de camarão para incrementar a produção de tilápias.
Segundo o engenheiro de pesca da Emater de Assaí, Luiz Eduardo Barreto, na última safra foram requisitadas 391 mil pós-larvas de camarão para atender 25 produtores. ''O fornecedor teve problemas na entrega e pudemos atender apenas 16 piscicultores, com 100 mil pós-larvas vindas de Piedade, no interior de São Paulo'', contou.
Muitos piscicultores ainda resistem ao consórcio camarão x tilápia devido ao alto preço das pós-larvas e ao grau de mortandade das mesmas, que pode chegar a 50%. ''O clima frio também não favorece a produção de duas safras anuais e reduz ainda mais as margens de lucro dos criadores'', admitiu o engenheiro.
Mesmo com as dificuldades, os pioneiros nessa experiência, Celso Osanai e Ricardo Abe, aumentaram para sete o número de viveiros. Na primeira despesca desta safra recolheram cerca de 40 quilos de camarão e mais de 890 quilos de tilápias. ''Adquirimos 65 mil pós-larvas nesta safra e para a próxima pretendemos comprar 100 mil'', afirmou Osanai, que em 2002 experimentou o cultivo em apenas um viveiro.
Em um dos sete viveiros, com 1.040 metros quadrados, Osanai e Abe colocaram sete mil camarões e 1.700 tilápias e a receita bruta chegou a R$ 4 mil para uma despesa de R$ 1,5 mil. ''A receita líquida do camarão foi de R$ 587,92, enquanto o custo da ração foi de R$ 595. Houve empate'', contabilizou Barreto, ressaltando que os piscicultores já venderam toda a produção de camarão a uma média de R$ 25 o quilo. ''As tilápias também já foram destinadas a um pesque e pague de Londrina, vendidas a R$ 3,20 o quilo'', disse.
A despesca dos outros seis viveiros deverá acontecer até o final de abril, antes do início do inverno. ''O cultivo de camarão só pode ser realizado no verão, já que ele é extremamente sensível a baixas temperaturas'', lembrou Barreto.
O processo de despesca do camarão de água doce envolve seis etapas básicas. Na primeira, a água do viveiro é retirada lentamente, enquanto a rede coleta os peixes e os crustáceos. Em seguida, eles são separados em caixas. As tilápias são colocadas vivas em tanques que serão transportados aos pesque e pague da região, enquanto os camarões recebem um banho de água clorada e são depositados por cinco minutos no gelo, para morrerem. Depois, são embalados e congelados, prontos para serem vendidos ou consumidos.
Segundo o engenheiro, a espécie de camarão utilizada no consórcio com a tilápia é o Gigante da Malásia ou Pitu Havaiano, por ser menos agressivo e apresentar crescimento rápido. ''A tilápia possui um ciclo mais curto do que outras espécies e, por isso, pode-se colher os dois juntos'', diz Barreto.
Nos viveiros são colocados apenas os machos das tilápias, pois as fêmeas não crescem com a mesma intensidade. Já os camarões podem ser machos e fêmeas. As fêmeas até se reproduzem, mas os ovos não vingam, pois necessitam de água salgada para sobreviver'', explicou segundo o engenheiro.
Ricardo Abe e dois sócios iniciaram os trabalhos com piscicultura em 1998 junto a outros dois sócios. ''Há dois anos resolvemos introduzir o camarão na produção de tilápias porque só o peixe não estava reagindo e, desde então, o camarão passou a custear a ração consumida pelos peixes'', comemorou.
Abe e Osanai irão participar, na quarta e quinta-feira da semana santa, de uma feira em Assaí. Na oportunidade, além de vender os peixes vivos, irão apresentar, pela primeira vez, os camarões de água doce à população.

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