Piscicultores e frigoríficos provam evolução da atividade
O crescimento da produção de tilápias no Norte do Estado é comprovado por meio de histórias interessantes que envolvem a piscicultura. Uma delas é do próprio presidente da Associação Norte Paranaense de Aquicultores (Anpaqui), João Paulo Vasconcelos. Há cinco anos, ele conta que fechou sua fábrica de móveis para se dedicar exclusivamente à produção de tilápias. E não se arrependeu.
Vasconcelos viu na piscicultura uma oportunidade rentável. Começou a produzindo pouco, algo em torno de 40 toneladas em 20 tanques-rede, localizados na cidade de Alvorada do Sul. Hoje, com 150 tanques, sua produção gira em torno de 250 toneladas. Além disso, ele fábrica os tanques para comercialização, além de vender outros produtos ligados ao negócio. "Estou sempre reinvestindo na produção e me atualizando. Acredito que os piscicultores trabalham para atender a demanda que temos hoje. A piscicultura tem que continuar crescendo desta forma, gradativamente, para que o mercado absorva nossa produção", explica.
Ele comenta ainda que a Anpaqui está bem organizada e que nas reuniões que a associação realiza não é difícil aparecer produtores de outros estados para conhecer o trabalho. "Completamos 21 anos de existência e estamos em ascensão. Agora o cenário está um pouco nebuloso devido à economia e à extinção do Ministério da Pesca. Vamos aguardar como tudo vai se comportar."
Nos frigoríficos, o otimismo também é grande. O gerente da Pescados Smartfish, João Carlos Rogério, conta que a expectativa do negócio é aumentar o processamento de tilápias em 50% em curto prazo. A empresa trabalha no sistema de integração, com 24 piscicultores parceiros num raio de 120 quilômetros de Rolândia. "Trabalhamos com foco em viveiros escavados e a nosso sistema de integração é bem semelhante à avicultura. Nós enviamos aos produtores o alevino ou juvenil (peixes um pouco maiores) e também oferecemos toda a assistência técnica. No final do cultivo, o frigorífico busca o peixe, que é abatido, embalado, congelado e redistribuído com nossa marca para supermercados, restaurantes e peixarias", detalha.
Atualmente, o processamento é de quatro toneladas de tilápia viva diariamente, fechando o mês com média de 80 toneladas produzidas. Entretanto, a capacidade do frigorífico é de seis toneladas do peixe vivo por dia. "Hoje, estamos buscando novos parceiros para diminuir essa ociosidade do frigorífico. Futuramente, queremos partir para mais um turno, e triplicar o processamento nos próximos três anos." Rogério relata que os integrados do frigorífico conseguem tirar, em média, R$ 1 por quilo de peixe vivo no final do processo. (V.L.)





