Piscicultor terá que se ajustar ao mercado
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sábado, 25 de janeiro de 2003
Érika Pelegrino<br> Reportagem Local 
O mercado consumidor está mudando de perfil e a piscicultura está entrando no processo de produção em escala para atender exigências das indústrias. Para cumprir os contratos firmados com cozinhas industriais, principalmente do Rio Grande do Sul, as indústrias estão exigindo filés de tilápia padronizados e maiores. A preferência é por filés de 120 gramas, que para serem conseguidos é preciso produzir peixes de 600 gramas. A produção normal é de peixes de 450 gramas.
A dificuldade enfrentada pelos piscicultores neste processo é o alto custo de produção, especialmente da ração, que nos últimos cinco anos passou de R$ 0,28 para R$ 0,80, segundo o coordenador-geral da Emater de Toledo, Raul Brianese.
Para se adequar ao mercado o desafio está no ajuste tecnológico para produzir peixes maiores e padronizados a um custo que resulte em rentabilidade.
Neste contexto o que pode acontecer, de acordo com Brianese, é uma alteração no perfil dos sistemas de produção, com a migração de alguns para o sistema natural de produção. Para conseguir rentabilidade o produtor deixa o peixe crescendo com a adubação natural do viveiro e reduz a taxa de alimentação, diminuindo custos.
Nesse novo sistema de produção o tempo de cultivo aumenta, passando de seis meses, para oito ou nove meses. Os tanques, que teriam peixes prontos para comercialização em abril, seriam abertos apenas no final de setembro. Segundo Brianese, neste sistema a produtividade é menor, mas a rentabilidade é maior.
Ainda não é possível saber, de acordo com o técnico da Emater, qual será o reflexo destas mudanças no volume de produção da safra de 2002/2003. Ele acredita que a produção pode sofrer uma diminuição no volume. Esta, porém, poderá ser compensada pela especialização dos produtores, que estão se tecnificando para conseguir escala e atender às exigências das indústrias. ''Só poderemos ter uma avaliação no segundo semestre'', explica Brianese.
De acordo com Brianese, se por um lado os produtores que partem para o sistema natural de cultivo não estão preocupados com prazos, por outro, as indústrias, que precisam de prazos definidos e grande volume, estão firmando contratos apenas com aqueles produtores mais especializados.
Brianese afirma, no entanto, que não acredita em exclusão dos produtores em todo a mudança de modos de cultivo. ''Eles têm potencial para se manter e só serão excluídos aqueles que não se organizarem para comercialização. Estes produtores estão buscando esta organização através das cooperativas e das associações. O mercado é amplo'', explica.
Na safra passada, 2001/2002, a comercialização de peixes maiores elevou o preço médio do quilo pago ao produtor pelas indústrias (R$ 1,20) e pelos pesque-pagues (R$ 1,50 a R$ 1,90 ) para R$ 1,80 a R$ 1,90. Alguns produtores conseguiram peixes maiores porque no final da safra (abril) ainda não tinham peixes prontos e tiveram que esperar o inverno passar para abrir os tanques para comercialização no final de setembro.
Osmar Ishikawa, proprietário de pesque-pague há seis anos, afirma que o preço pago ao produtor fica entre R$ 2,50 e R$ 7,00 o quilo dependendo do peixe. ''Trabalhamos com produtores tecnificados'', afirma.
Hoje os pesque-pagues e as indústrias de processamento são os dois canais de comercialização. Os pesque-pagues comercializam 62% da produção do Paraná e as indústrias são responsáveis por 26%. As vendas diretas ao consumidor correspondem a 10% da comercialização e as feiras livres a 2%.
Exportação de filés - Segundo Brianese, um outro mercado começa a se abrir no Paraná: o da exportação de filés de tilápia. Em Marechal Rondon, Oeste do Paraná, há uma indústria que está exportando, mas os dados são sigilosos, de acordo com o coordenador-geral da Emater.
O Estado de São Paulo, segundo ele, está mais avançado e já exporta peixes resfriados para o mercado etnico norte-americano. O Paraná, segundo Brianese, desenvolve pesquisas para aproveitar melhor a carne de peixe. Hoje apenas 35% é aproveitada para a produção de filés. Os estudos são feitos também para comercializar produtos semiprontos, como empanados, hamburgueres, entre outros.


