Para o produtor Sérgio Amano, apesar dos avanços tecnológicos, alguns produtores ainda insistem em piratear sementes, ‘‘por economia ou, até mesmo, facilidade em garantir o uso de variedades que serão difíceis de encontrar no mercado’’, explica.
  ‘‘Eles prejudicam a si mesmos’’, contesta Ralf Dengler, assinalando que a pesquisa vive dos royalties pagos pelos agricultores com a compra das sementes certificadas. ‘‘Se o uso de sementes piratas aumenta, não há o pagamento do royalty e menos recursos são destinados ao desenvolvimento de novas variedades com melhor potencial produtivo, adaptabilidade e tolerância a doenças’’, completa.
  Dengler também ressalta que a escolha da semente certificada diminui os riscos da atividade agrícola, pois a origem do material é garantida pelo Ministério da Agricultura. ‘‘São garantidas ainda as vantagens genéticas contidas em cada cultivar e o produtor tem a certeza de que a semente não é portadora de doenças ou efeitos degenerativos da genética original’’, assinala.
  ‘‘A economia aparente no custo de implantação de uma lavoura com o uso de sementes mais baratas representa uma diferença grande na receita final da colheita, principalmente pela redução da produtividade’’, analisa Dengler.
  Segundo ele, os efeitos negativos do uso de sementes de qualidade não garantida começam com o aumento da quantidade usada no plantio, que geralmente é maior nos casos em que a semente não é classificada ou tem vigor desconhecido. ‘‘Toda semente produzida legalmente tem qualidade garantida, o que permite ao agricultor usá-la na quantidade precisa no plantio, reduzindo, assim, o custo de implantação da lavoura’’, conclui o agrônomo. (M.G.)

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