Pinhão manso: novo ingrediente da bioenergia
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sábado, 05 de novembro de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
Alto teor de óleo, elevado rendimento das sementes, perenidade da cultura e possibilidade de intercalação com outros cultivos são características que fazem do pinhão manso uma forte opção de fonte renovável para produção de biocombustível. Com aproximadamente 26 mil hectares plantados no País, a oleaginosa têm ganhado espaço na matriz energética brasileira. Os cultivos estão espalhados por todo o território nacional e as lavouras possuem de 1 a 5 anos. Com foco voltado fundamentalmente para a produção energética, o pinhão manso esbarra nos empecilhos técnicos causados por ser uma cultura ainda em processo de domesticação.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão Manso (ABPPM), Luciano Piovesan Leme, o ápice de produção da oleaginosa tem início a partir do quarto ano e, por esse motivo, a maturação da área plantada no País ainda demanda tempo para uma avaliação mais detalhada de seu potencial. Leme acredita que nos próximos anos, os resultados da pesquisa - que está sendo desenvolvida pela Embrapa em parceria com dezenas de entidades em diversos estados brasileiros - possibilitarão o trabalho de difusão e transferência de tecnologia ao produtor, para que ele implante e conduza a cultura com maior apoio técnico e científico.
''O produtor não teve e não tem a assistência técnica e a transferência de informações adequadas sobre a cultura do pinhão manso. Houve uma corrida para a cultura com muitas informações distorcidas do ponto de vista técnico. Como qualquer outra cultura, ele necessita de um pacote tecnológico'', argumenta, lembrando que o pinhão manso necessita de técnicas de adubação, poda e controle de pragas e doenças. Como clima preferencial, a cultura se adapta a temperaturas que variam de 24ºC a 34ºC. Além disso, Leme afirma que a oleaginosa não pode ser cultivada em área passíveis de enxarcamento e precisa de fertilidade de solo para garantir alta produtividade. Segundo ele, o Norte do Paraná possui condições climáticas adequadas para a cultura do pinhão manso.
O presidente da ABPPM argumenta que, diante desse cenário, o produtor que investir na cultura terá um grande mercado consumidor. ''O foco que nós estamos buscando hoje para o pinhão manso é a produção de bioquerosene para atender a aviação civil comercial, segmento que consome hoje, em todo o mundo, 250 bilhões de litros de querosene fóssil'', revela. Leme afirma que a Associação Internacional de Aviação Civil fez um protocolo junto à Organização das Nações Unidas (ONU) se comprometendo a usar B6 a partir de 2020, o que significa a inclusão de 6% de bioquerosene misturado ao querosene fóssil.
''No caso do pinhão manso, precisamos de cerca de 7 milhões de hectares plantados no mundo para atender a essa demanda. Não temos pretensão de chegar a esse patamar em pouco tempo, mas sabemos que temos esse potencial'', avalia. Atualmente, 80% da plataforma de biodiesel no Brasil é feita com óleo de soja. Entretanto, Leme afirma que novas alternativas de oleaginosas podem possibilitar ao Brasil implantar B7, B9 ou até B10 na cadeia de combustíveis nos próximos anos.
Paraná
Desde 2008, os produtores paranaenses contam com a Associação de Produtores Rurais de Pinhão Manso (APPM), que reúne 12 associados e uma área cultivada de 30 hectares na região Norte do Estado. Segundo o presidente da APPM, Aguimário Alves, o perfil do produtor de pinhão manso direcionado à cadeia de biodiesel é de pequenos produtores, até mesmo da agricultura familiar. Já no caso de quem produz para bioquerosene, o perfil é do agronegócio empresarial. ''Neste último caso, temos um projeto para cultivo de 5 mil hectares no Norte do Paraná'', revela.
Alves afirma que a rentabilidade média do pinhão manso é de R$ 4,5 mil a R$ 5 mil por hectare. No primeiro ano, já há produção, mas ela não atinge 1 kg por planta. Segundo ele, o custo para implantação da lavoura é baixo e o pinhão manso pode ser consorciado com outras culturas para agregar diversas atividades na propriedade, diversificando a renda do agricultor. ''Outra vantagem da planta é que, por ser perene, o pinhão manso pode ser incluído na área de reserva legal'', explica.


