Acompanhada de uma carne, arroz ou feijão, a pimenta é sempre uma boa opção para aqueles que gostam de realçar o sabor dos alimentos. Além de saborosa, os benefícios econômicos que o cultivo da olerícola podem trazer para pequenos produtores são muitos. No Paraná, por exemplo, agricultores optam pelo cultivo da pimenta por causa do bom retorno financeiro, mesmo quando plantada em pequena escala. Agregado a isso, a atividade também se revela como uma boa opção de rotação de cultura.
De acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), na safra 2010/11, o Paraná produziu 1.978 toneladas de pimenta, 6% a mais se comparado com a produção do ciclo 2009/10. O município de Jacarezinho (Norte Pioneiro), concentra a maior fatia da produção do Estado, com uma participação de 57%. Em segundo lugar fica a região de Londrina, com 20% do total. No geral, o Paraná possui em torno de 160 hectares de área plantada com a cultura, cuja produção se encontra em áreas de maior temperatura.
Cirino Correa Junior, coordenador estadual de plantas medicinais, aromáticas e condimentares do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), destaca que a demanda por pimenta está em ascensão no mercado brasileiro, mas o seu cultivo ainda é realizado em escala doméstica, de pequena produção. ''A pimenta é uma boa fonte de renda e de rotação de cultura, cabendo bem para a agricultura familiar'', sublinha o especialista. Correa completa que para o pequeno produtor, a cultura garante uma boa fonte de renda. O quilo da pimenta dedo-de-moça, por exemplo, pode chegar a R$ 40 em períodos de entressafra.
Além de produzir a matéria-prima, o especialista explica que muitos agricultores paranaenses estão optando por agregar valor ao produto por meio da produção de molhos e conservas, o que ajuda a incrementar a renda. ''O mercado de temperos está em ascensão e tem muito potencial'', destaca Correa.
José Luiz Sanchez Vilar, agricultor na região de Bandeirantes (Norte Pioneiro), começou a produzir pimenta no ano passado. Mesmo em tão pouco tempo, já colhe bons frutos com a atual produção. Com mais de seis mil pés de pimenta, Vilar decidiu não comercializar o produto in natura porque descobriu no mercado de molhos e conservas uma ótima oportunidade de potencializar a sua renda.
Ao todo, Vilar produz em torno de oito variedades em uma área de 0,7 hectares. A pimenta biquinho, é um dos carros-chefes da propriedade. Só no ano passado, o agricultor chegou a produzir 1,5 mil quilos da variedade, o que dá para envazar em torno de 3 mil vidros. Para este ano, Vilar espera colher mais de 4 mil quilos. ''A estimativa de aumento na atual colheita é porque as plantas estão maiores neste ano'', destaca o produtor. Vilar conta que conheceu essa cultura em uma das edições da Feira de Sabores, organizada pela Seab. ''Depois de ver os bons resultados da olerícola, fui a um viveiro em Londrina e adquiri mil mudas de pimenta biquinho, 200 de dedo-de-moça e mais 200 da variedade malagueta, dando início ao negócio'', recorda.

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