A falta de diversidade de cortes foi apontada na pesquisa de opinião com consumidores, como um dos pontos que impactavam a compra. Diante de um recado tão claro do mercado, a Associação Brasileira de Criadores de Suínos tratou de resolver o problema e colocou em cena o mestre-açougueiro Daniel Furtado. Ele é dono do único açougue especializado em carne suína do Brasil, na cidade mineira de Três Pontas. Em 18 anos de atividade, o profissional já desenvolveu 98 tipos de cortes e 20 deles foram selecionados para a campanha ''Um novo olhar sobre a carne suína'' e podem ser encontrados nos supermercados parceiros. Picanha, bifes de alcatra e medalhões são os mais requisitados.
Furtado corre o País ensinando açougueiros os truques para conseguir extrair os cortes de maneira perfeita. Quando a campanha foi lançada em Curitiba, no mês julho, ele palestrou para funcionários da rede Muffato - sede da iniciativa. Por mais de duas horas, destrinchou carcaças e também tirou as dúvidas de criadores sobre os cortes. As carcaças de 120 quilos - pesadas com mínimo de toucinho (banha) -, produzidas por meio de boa genética, alimentação balanceada, sanidade e manejo correto, são as prediletas. ''Tanto no meu negócio quanto no trabalho com a ABCS, meu objetivo é mostrar que o consumo de suíno vai além do pernil e bisteca. Açougues e supermercados já se preocupam em oferecer cortes para refeições menores'', comenta.
O resultado desta nova conscientização já se traduziu em lucro. Nos locais por onde a campanha já passou - Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de janeiro e agora Curitiba -, e que açougueiros já conheceram os novos cortes, as vendas elevaram entre 50% a 267%. A ABCS sempre escolhe um supermercado parceiro local para a divulgação e degustação. A carne suína é mais barata que as outras proteínas de origem animal. A picanha suína chega custar a metade da picanha bovina. ''O brasileiro gosta do sabor e o preço é bom, basta agora ele encontrar com mais facilidade os cortes para o cotidiano. A campanha informativa tira da cabeça que porco é um animal de pocilga, o que não é verdade'', analisa Furtado.
Para conseguir a qualidade que deseja, Furtado tem fornecedores escolhidos à dedo. Em seu estabelecimento, comercializa cerca de 4 toneladas ao mês e já fidelizou o público, inclusive de fora da cidade. Frequentemente, ele envia encomendas para o Sudeste. Norte e Nordeste geram alguns pedidos. O produto chega à casa bem cortado, embalado adequadamente e já temperado. (C.P.)

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