PIB do agronegócio cresceu 6,54%
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sexta-feira, 12 de março de 2004
Reportagem Local 
Os números sobre o desempenho do agronegócio brasilerio, ano passado, saíram esta semana. O conjunto do setor encerrou o ano com um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 508,27 bilhões, o que representa um crescimento de 6,54% sobre o resultado do ano anterior. Em 2002, o PIB do agronegócio, conforme pesquisa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), foi de R$ 477,09 bilhões (valores de dezembro de 2003).
O chefe do Departamento Econômico (Decon) da CNA, Getúlio Pernambuco, explica que durante quase todo o ano passado houve crescimento do agronegócio, com ligeiras retrações somente a partir do quarto trimestre. Em dezembro, o setor apresentou retração de 0,64% no PIB. ''Houve recuo na demanda interna por alimentos, devido à queda de renda'', explica Pernambuco. O cálculo do PIB do agronegócio considera os diversos segmentos que compõem o agronegócio, incluindo desde a produção primária até o setor de transportes, insumos, indústria e distribuição.
Isoladamente, a produção primária da agricultura atingiu PIB de R$ 94,81 bilhões em 2003, crescimento de 15,95% na comparação com os R$ R$ 81,76 bilhões registrados em 2002. O PIB da pecuária atingiu R$ 63,39 bilhões, representando elevação de 6,22% na comparação com os R$ 59,67 bilhões do anterior. Pernambuco avalia que apesar de a pecuária ter apresentado taxa de crescimento inferior ao da agricultura e à do conjunto do agronegócio nacional, apresentou desempenho melhor que no ano passado.
''O ano foi bom para o setor agropecuário, embora parte da demanda interna esperada não tenha acontecido. O projeto Fome Zero, que deveria ser um mecanismo de sustentação da demanda, não apresentou os resultados esperados. O fator positivo na sustentação de renda do setor agropecuário foi o aumento de exportações.'', diz Pernambuco.
O chefe do Decon explica que o aumento do PIB do setor de insumos, dentro do conjunto do agronegócio, é outro indicativo de que 2003 foi ano de desenvolvimento para o setor. Conforme o estudo da CNA e Cepea/USP, os insumos tiveram crescimento de 12,5% no ano passado. ''Isso significa que os produtores fizeram investimentos, o que permitiu a expansão da área plantada nesta nova safra'', afirma Pernambuco.
O desempenho do setor de insumos está diretamente ligado aos gastos que os produtores realizaram para manter lavouras ou criação de animais, ou seja, índices do segmento são um termômetro do ritmo de crescimento do setor primário.
Já pelo conceito de faturamento bruto do setor, calculado por meio do Valor Bruto da Produção (VBP), 2003 foi um ano excelente para a agropecuária, com crescimento de 13,4% Foi o melhor índice obtido nos 13 anos em que é calculado o faturamento do setor rural.
Dessa forma, o faturamento dos 25 principais produtos do setor somou R$ 159,8 bilhões no ano passado, frente R$ 140,9 bilhões em 2002. Poucos produtos apresentaram queda do VBP, como o de café beneficiado, laranja e cacau. Paralelamente, segmentos como os de trigo apresentaram fortes crescimentos no faturamento, para o qual o VBP subiu de R$ 1,3 bilhão, em 2002; para R$ 2,4 bilhões, em 2003.


