Piauí surge como novo Eldorado
Vânia Casado
De Curitiba
Um novo Eldorado está surgindo para a expansão do plantio de grãos no País, especialmente a soja. Os agricultores do Sul do Brasil, os mesmos que desbravaram o Centro-Oeste, estão migrando para o Sul do Piauí, atraídos pelo microclima da região e condições geográficas, que garantem um período de chuvas regulares e solo com as mesmas condições do Cerrado. A migração de agricultores do Sul e Centro podem tornar o Piauí, em pouco tempo, um Estado produtor de alimentos.
A região Sul do Piauí é interligada ao Sul do Maranhão (Balsas) e ao Oeste da Bahia (Barreiras). Oferece condições para o cultivo de lavouras variadas como arroz, soja, milho, feijão, café, mandioca, fruticultura, cana-de-açúcar, jojoba, mamona e leguminosas em geral, além da criação de bovinos, suínos, aves e caprinos.
A distância do Porto de Itaqui, onde podem atracarnavios de grande porte, é de 1.000 quilômetros. Desse total, 840 quilômetros são asfaltados e os 160 quilômetros restantes ainda são de estrada de chão. Já existem 40 famílias, oriundas do Sul (Rio Grande do Sul, Oeste do Paraná e Centro do País), investindo naquela região, numa área de 48 mil hectares de cerrados já desbravados. Este ano, a Cooperativa de Trigo de Santa Rosa, RS (Cotrirosa), está enviando mais 70 famílias.
Cidade novaNa área colonizada pela cooperativa gaúcha, o governo piauiense construiu dois poços artesianos e escolas de primeiro e segundo grau. Quem comprou uma área para lavoura, ganhou um terreno na cidade, construída especialmente para abrigar os agricultores de outros Estados.
O agricultor Ari Marcolim, de Catanduvas, Oeste do Paraná, comprou uma área de 1.875 hectares, em 1998. Naquela época pagou o valor equivalente a 15 sacas de soja por hectare, em três parcelas anuais. Este ano vai plantar 500 hectares no início de novembro, considerado o período mais adequado para o plantio.
Marcolim está reivindicando um empréstimo de R$700 mil ao Banco Nordeste, que tem convênio com o Banco do Brasil para repasse de recursos do BNDES. Os recursos serão aplicados em obras de infra-estrutura e plantio.
Arroz tambémApesar do preço da soja, estar semelhante ao praticado na região Sul, em torno de R$18,00 a saca, Marcolim disse que este ano pretende plantar arroz, para atender o mercado interno. Mas está entusiasmado com o futuro da soja na região.
Em relação ao Sul do País, o Porto de Itaqui está a 5 mil quilômetros mais perto dos mercados consumidores importantes como Europa e Estados Unidos. Segundo Marcolim, o cerrado do Piauí está fora do Polígono da Seca do Nordeste e é beneficiado por um sistema de chuvas regulares, com índice pluviométrico superior a 1.300 milímetros por ano, bem distribuídas entre outubro e o final de abril. Além disso, a região dispõe de um dos maiores lençóis freáticos do mundo.
Custos de produçãoOutra vantagem apontada por Marcolim, são os custos baixos para instalação das lavouras. Segundo ele, para quebrar e limpar a área do Cerrado, o custo está avaliado em R$30,00 o hectare. A passagem de duas grades custa mais R$23,00 o hectare. A aplicação de 3,5 toneladas de calcário por hectare, sai por R$100,00 e aplicação de fósforo, R$60,00. Apesar de todos esses custos de implantação de lavouras, Marcolim destaca que os custos de plantio não variam muito em comparação com as demais áreas do País.





