Pêssego chega mais cedo à mesa do consumidor
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sexta-feira, 03 de novembro de 2006
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Para o poeta, o único afrodisíaco é o amor, mas algumas pessoas procuram dar uma força ao sentimento com imaginação. Frutas como o morango, damasco e o pêssego entram na lista dos apaixonados, que desejam apimentar a relação.
O pêssego merece um lugar na mesa das frutas nobres não só pela beleza e supostas propriedades afrodisíacas, mas também por ser uma cultura que os produtores garantem que exige carinho.
Como os bonsais japoneses, os pessegueiros são praticamente esculpidos nas épocas das podas, que antecipam a produção. Manejos que emolduram a origem da cultura, que surgiu 20 séculos antes de Cristo na China, desembarcando no Brasil em 1532 na bagagem do português Martim Afonso de Souza (1500-1671), apresentando seu valor comercial somente em 1940.
No rol das frutas de caroço como a ameixa e a própria nectarina -resultante do cruzamento do pêssego com ameixa vermelha -, o fruto do pessegueiro da safra 2006 está mais caro.
As geadas são as vilãs na queda da produção paranaense pela metade, que na safra anterior atingiu 32 mil toneladas. Perdas que não se comparam às das safras catarinense atingidas em 90% e gaúchas que tiveram uma baixa de 70% na produção com as geadas.
O Paraná tem uma área plantada de 1,8 mil hectares (ha) de pêssego e 230 de nectarina. Produções que, geralmente, são associadas com o plantio de ameixa, cuja área é de 890 ha de área plantada.
A produção paranaense se concentra na região Centro-Sul, principalmente na Lapa (71 quilômetros a oeste de Curitiba), onde os pessegueiros foram bastante atingidos pelas geadas, o que favoreceu os produtores do Norte do Paraná.
O clima atípico na safra deste ano fez com que a produção da região, que normalmente já é colhida mais cedo, que em outras áreas, adiantasse ainda mais. Geralmente, a colheita começa no final de agosto e se estende até meados de dezembro, mas a de 2006 já está praticamente encerrada.
''Essa produção é totalmente atípica porque não houve inverno. O pêssego e a nectarina são plantas de clima temperado, quando esquenta começa a florescer, mas como não veio o frio, entrou em floração mais cedo, iniciando a safra em julho'', comenta Marco Antonio Machado, diretor comercial do grupo Tomita Itimura.
Na Fazenda Limeira, localizada na região de Congonhinhas, o grupo está colhendo 1 milhão de quilos da fruta. Dos 180 ha da propriedade cerca de 90 são cultivados com pêssego, nectarina e ameixa, além de outros 12 ocupados com a produção de tangerina.
Machado ressalta que a colheita precoce é uma faca de dois gumes para o produtor. Apesar de poder oferecer as frutas no mercado mais cedo, antes dos outros estados produtores, a antecipação compromete o tamanho dos frutos.
''Com relação ao preço está satisfatório. Vínhamos de alguns anos complicados. Entre as variáveis que influenciam o mercado está justamente o tamanho das frutas'', avalia Machado, lembrando que os preços estão em torno de R$ 2,50 o quilo.
O grupo comercializa toda a produção com as principais redes de hipermercados em todo o País.


