Pesquisas no Parque Nacional
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O Parque, que se estende por 10 municípios das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, deixou de ser somente uma da mais belas atrações turísticas do mundo, em especial devido às Cataratas do Iguaçu, para ser reconhecido como um centros de trabalhos científicos, um laboratório vivo para dezenas de pesquisadores, técnicos e professores.
Esses trabalhos podem ajudar a população da cidade e os moradores do campo a compreender melhor o ecossistema e o equilíbrio entre preservação e exploração dos recursos naturais. Entre as pesquisas estão os projetos Morcegos do Iguaçu, que estuda a vida desses mamíferos voadores e Carnívoros do Iguaçu, que estuda o comportamento principalmente das onças, jaguatiricas e pumas (onças-pardas), na tentativa de compreender as mudanças de seus hábitos.
E os resultados da pesquisa alertam: os felinos estão procurando alimento além dos limites do refúgio, principalmente em propriedades rurais próximas ao parque.
Mudança de hábitosO médico-veterinário Cláudio Klemz, 24 anos, é um dos três pesquisadores que participam do projeto. Junto com ele, o biólogo Fernando Azevedo e a veterinária Valéria Conforti (que atualmente estão nos Estados Unidos, divulgando seus trabalhos em encontros e palestras) dão continuidade ao trabalho iniciado em 1990 pelo professor Peter Crewshaw.
Para monitorar os animais, a equipe já capturou sete espécimes, fez exames e colocou-lhes coleiras com radiotransmissores. Uma antena especial identifica cada frequência transmitida.
Observando a movimentação dos felinos, notamos que os hábitos desses animais têm mudado bastante. Eles estão caçando em propriedades rurais vizinhas do parque, onde ocasionalmente registramos ataques a bovinos, explicou Klemz.
Até 1995 existiam cerca de 60 exemplares de onças pintadas em toda a extensão do parque. Segundo o pesquisador, o grupo diminuiu significativamente e deve estar com cerca de 50 animais. Em dezembro de 99 encontramos restos de duas onças mortas por caçadores dentro do próprio parque. Isso sem contar a onça filmada por um fazendeiro em setembro, acrescentou o veterinário, lembrando-se de um vídeo, apreendido pelo Ibama, que mostrava funcionários de uma fazenda propriedade do pecuarista Nilton Boito retirando o couro de um animal abatido a tiros. O fazendeiro alegou que o felino estava atacando o gado. Até um cachorro da fazenda foi morto pela onça.
Ataques a bovinosApesar de não haver dados exatos sobre o número de ataques de animais ferozes a bovinos, Klemz concorda que eles estão cada vez mais frequêntes na região Oeste do Estado. Mesmo assim, ele não culpa as onças, mas sim a falta de respeito aos limites do parque, já que muitos produtores rurais estendem as cercas da propriedade até a beira da mata nativa. É preciso conscientizar o homem do campo sobre a importância da preservação das espécies. Mas é difícil convencer um colono de 50 anos de idade, que caça desde os 15 anos, que esses animais estão quase extintos, constata Klemz.
O pesquisador lembra que uma onça pintada gera, a cada ninhada, de um a dois filhotes. Até a próxima prenhez, a fêmea demora dois anos e meio para se recuperar.Dia 10 deste mês foram comemorados os 61 anos do Parque Nacional do Iguaçu, reserva ecológica de 185 mil hectares
Ney de SouzaCláudio Klemz: Parque do Iguaçu representa somente 1 por cento das florestas que existiam no Paraná. Sobre a mesa, jaguatirica empalhada.Kremz rastreia onças. Ele constata que os hábitos dos felinos mudaramO morcego da espécie Artibeus lituratus é a espécie mais comum e se alimenta apenas de frutasPreservação





