O engenheiro agrônomo Alexandre Martines começou a pesquisar os usos do lodo de curtume em 2002 quando entrou no mestrado da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP). Uniu sua curiosidade pelo assunto com a possibilidade de aplicar suas pesquisas no Curtume Vanzella, localizado em Rolândia onde também reside.

Ele conta que durante o mestrado, realizou estudos em laboratório e casa de vegetação com objetivo de avaliar as alterações microbiológicas e químicas em três solos de classes texturais diferentes após a aplicação de doses crescentes de lodo de curtume e seu efeito sobre a cultura da soja.

No doutorado, transferiu suas ações para o campo e instalou um experimento em Rolândia com objetivos de avaliar a perda de nitrogênio por volatização da amônia, as alterações microbiológicas do solo, a lixiviação de nitrogênio mineral e a produtividade do milho em áreas onde foi aplicado esse material. Martines reforça que um dos focos da pesquisa sempre foi separar o máximo possível o cromo do resíduo.

Segundo ele, a redução do teor de cromo - metal tóxico para os seres vivos - no lodo primário possibilitou sua utilização em conjunto com o lodo do caleiro em área agrícola, não sendo mais este o fator limitante na determinação da dose a ser aplicada. Mas todo processo precisa ser aplicada sob a orientação de um profissional preparado, pois altos teores de nitrogênio no solo, na forma de nitrato, decorrentes da mineralização da fração orgânica do lodo de curtume podem proporcionar impactos negativos principalmente quando a mineralização não é sincronizada com a absorção pelas plantas, possibilitando sua movimentação e consequente contaminação das águas superficiais e subterrâneas. Já o sódio pode causar limitações no desenvolvimento das plantas e dispersão da matéria orgânica.

Como se trata de um produto que ainda não está registrado no Ministério da Agricultura, tem autorização do IAP para ser aplicado apenas em áreas agrícolas do próprio curtume. E mesmo assim precisa das recomendações de um profissional. Martines destaca que como o produto tem características físico-químicas diferentes é necessário cuidados no manejo, como incorporação correta ao solo, evitando que fique na superfície. A pesquisa ainda indica que se deve aplicar o resíduo em um período mais próximo do plantio, para que haja maior aproveitamento por parte das plantas.

Ele acrescenta que para a agricultura, esse resíduo do curtume é importante por conta dos nutrientes que contém. E para a empresa, diminuem os custos de tratamento e disposição de uma imensa quantidade de lodo, amenizando o impacto ambiental. Martines acrescenta que suas pesquisas trazem novas informações sobre o manejo adequado do lodo de curtume as quais resultam em aumento de produtividade sem causar danos ambientais. As informações de suas pesquisas serão apresentadas à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que pretende revisar a norma de aplicação de lodo de curtume que vigora desde 1999. E assim como no caso do lodo de esgoto, ele acrdita que a norma da Cetesb possa servir de base para um norma federal para o uso de lodo de curtume. (E.Z.)

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