Pesquisas buscam informações precisas sobre saúde do solo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de junho de 2002
Benê Bianchi<BR>Reportagem Local 
A análise química isolada do solo é uma técnica bastante difundida e utilizada por agropecuaristas de todo o país, mas está longe de dar uma idéia exata da situação em que se encontra a terra analisada. Pesquisadores de várias partes do mundo estão em busca de técnicas de avaliação mais precisas, que possam dar informações reais sobre a saúde do solo. O assunto foi um dos temas do workshop Manejo Biológico do Solo para a Agricultura Sustentável, realizado esta semana na sede da Embrapa/Soja, em Londrina.
No Paraná, já há projetos pilotos implantados por pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Universidade Estadual de Londrina (UEL), envolvendo além de pesquisadores, também produtores e extensionistas, na identificação do que denominam de Perfil Cultural do Solo.
A análise química do solo, sozinha, dá uma idéia parcial sobre como estão os níveis de nutrientes, materiais orgânicos e reação do solo (PH) naquele momento em foi feita a análise. Mais que isso, hoje está se implementando uma avaliação detalhada e com mais elementos que nos proporcionem avaliar com tranquilidade as variações das propriedades do solo, informa o pesquisador do Iapar Ademir Calegari.
Na nova modalidade de avaliação são analisadas as propriedades químicas fracionadas do perfil do solo; as propriedades físicas, detectando a presença, na superfície, de resíduos culturais e plantas de cobertura (mulch), os efeitos da matéria orgânica, o desenvolvimento radicular e o comprimento da raiz, além de avaliar se há boa penetração de água no solo; e as propriedades biológicas, que detectam a presença de organismos benéficos e a ação da fauna e flora no solo analisado.
No perfil cultural do solo, o produtor vai poder enxergar os efeitos, ao longo dos anos, do mal uso de maquinários, seja por utilizá-lo de forma excessiva ou em momentos inadequados. Ele vai acompanhar a deformação do perfil do solo e também os efeitos favoráveis de raízes mais robustas, como o nabo pivotante, comenta Calegari. O pesquisador observa que muitos agricultores mexem constantemente no solo de sua propriedade sem uma base de conhecimento sobre o que está fazendo. Muitos dizem que estão mexendo porque o vizinho mexeu.
O pesquisador ressalta que ao adotar novas formas de cultivo, com rotação de culturas e uso adequado de plantas de cobertura, não é necessário intervir no solo.
O produtor precisa fazer rotação não só das culturas de renda, mas também de plantas de cobertura, inclusive com associações desses plantas, como por exemplo aveia, nabo e ervilhaca ou aveia, nabo e ervilha forrageira. Ao mesmo tempo, trabalho na área de microbiologia do Iapar, coordenado por Arnaldo Colozzi, tem mostrado que quando há combinação de plantas aumenta a biodiversidade do solo, completa o pesquisador.


