A análise química isolada do solo é uma técnica bastante difundida e utilizada por agropecuaristas de todo o país, mas está longe de dar uma idéia exata da situação em que se encontra a terra analisada. Pesquisadores de várias partes do mundo estão em busca de técnicas de avaliação mais precisas, que possam dar informações reais sobre a saúde do solo. O assunto foi um dos temas do workshop Manejo Biológico do Solo para a Agricultura Sustentável, realizado esta semana na sede da Embrapa/Soja, em Londrina.
No Paraná, já há projetos pilotos implantados por pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Universidade Estadual de Londrina (UEL), envolvendo além de pesquisadores, também produtores e extensionistas, na identificação do que denominam de ‘Perfil Cultural do Solo’.
‘‘A análise química do solo, sozinha, dá uma idéia parcial sobre como estão os níveis de nutrientes, materiais orgânicos e reação do solo (PH) naquele momento em foi feita a análise. Mais que isso, hoje está se implementando uma avaliação detalhada e com mais elementos que nos proporcionem avaliar com tranquilidade as variações das propriedades do solo’’, informa o pesquisador do Iapar Ademir Calegari.
Na nova modalidade de avaliação são analisadas as propriedades químicas fracionadas do perfil do solo; as propriedades físicas, detectando a presença, na superfície, de resíduos culturais e plantas de cobertura (mulch), os efeitos da matéria orgânica, o desenvolvimento radicular e o comprimento da raiz, além de avaliar se há boa penetração de água no solo; e as propriedades biológicas, que detectam a presença de organismos benéficos e a ação da fauna e flora no solo analisado.
‘‘No perfil cultural do solo, o produtor vai poder enxergar os efeitos, ao longo dos anos, do mal uso de maquinários, seja por utilizá-lo de forma excessiva ou em momentos inadequados. Ele vai acompanhar a deformação do perfil do solo e também os efeitos favoráveis de raízes mais robustas, como o nabo pivotante’’, comenta Calegari. O pesquisador observa que muitos agricultores mexem constantemente no solo de sua propriedade sem uma base de conhecimento sobre o que está fazendo. ‘‘Muitos dizem que estão mexendo porque o vizinho mexeu.’’
O pesquisador ressalta que ao adotar novas formas de cultivo, com rotação de culturas e uso adequado de plantas de cobertura, não é necessário intervir no solo.
‘‘O produtor precisa fazer rotação não só das culturas de renda, mas também de plantas de cobertura, inclusive com associações desses plantas, como por exemplo aveia, nabo e ervilhaca ou aveia, nabo e ervilha forrageira. Ao mesmo tempo, trabalho na área de microbiologia do Iapar, coordenado por Arnaldo Colozzi, tem mostrado que quando há combinação de plantas aumenta a biodiversidade do solo’’, completa o pesquisador.

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