Pesquisar ainda é melhor que cortar emissão de CO2
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sexta-feira, 21 de maio de 2010
Reportagem Local 
São Paulo - O aquecimento global é inegável, mas não tão forte ou danoso que justifique aplicar cortes radicais nas emissões de carbono, pois essa política prejudicaria principalmente países e populações mais pobres. Esse é a análise de duas autoridades mundiais na área de mudanças climáticas: Bjorn Lomborg, cientista político dinamarquês e autor do livro ''O Ambientalista Cético'', e o climatologista norte-americano Patrick Michaels, membro sênior de estudos ambientais do Cato Institute. Eles estiveram no Brasil, recentemente, participando de um evento sobre a produção agropecuária e o clima.
''Não digo que o aquecimento global não seja verdade. O problema é que aqueles que defendem a redução das emissões de carbono dizem sempre quantas pessoas vão morrer por conta do calor, mas nunca quantas pessoas vão deixar de morrer por causa do frio. Antes de cortar emissões de carbono, vamos planejar melhor as cidades, utilizar soluções racionais, e não impor políticas com custo imenso e sem compromisso com o futuro'', declarou Lomborg. Ele argumentou que o preço para implantar o Protocolo de Kyoto seria de US$ 180 bilhões por ano, e isso garantiria uma redução de temperatura de apenas 0,004ºC até o ano de 2100.
Para Lomborg reduzir emissões de carbono é uma atividade muito dispendiosa e com baixo índice de efetividade. Ele propõe reforçar investimentos em pesquisa, sugerindo que 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial seja investido no desenvolvimento de tecnologias de geração de energia sem emissão de carbono. ''Isso representaria um investimento de US$ 100 bilhões por ano. Seria duas vezes mais barato que Kyoto e garantiria 50 vezes mais do que é investido hoje nesse segmento'', disse.
Para Patrick Michaels, a grande causa das emissões de gás causadores do efeito estufa é a pobreza. ''Em situação de pobreza, a população não tem dinheiro para investir em tecnologia mais limpa. Quando um país fica rico, pode produzir energia de forma mais eficiente'', afirmou.
Segundo Michaels, cada US$ 1 investido no desenvolvimento de painéis solares mais eficientes e mais baratos geraria um retorno de US$ 11 na eliminação de danos ambientais. ''Em vez de agir na redução das emissões de carbono, algo caro e politicamente ineficaz, deveríamos investir em energia verde'', enfatizou.
Para Luiz Pinguelli Rosa, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, o Brasil já está alguns passos à frente na geração de energia limpa. ''Os biocombustíveis são uma vantagem do Brasil. No caso do etanol, principalmente por ser feito de cana-de-açúcar.''
Ele lembra que são utilizados 4 milhões de hectares de lavouras no cultivo de cana para a produção de etanol, o que não compromete a produção de alimentos e, além disso, é uma alternativa ecologicamente correta de geração de energia. As lavouras de soja, cita, ocupam área bem maior: cerca de 23 milhões de hectares. Rosa rebateu ainda as críticas de que a criação de gado seria uma das mais fortes agressões ao meio ambiente, devido à geração de metano pelo rebanho.
O professor Marcelo Valadares Galdos, da Universidade de São Paulo (USP), afirma que é possível manter uma relação entre o agronegócio e as ações de mitigação do aquecimento global. Ele defendeu que uma política integrada da agricultura, da pecuária e da silvicultura possibilita a retenção de carbono e gera benefícios quanto às mudanças climáticas. ''A proposta é aperfeiçoar tecnologias, ganhar em escala e eficiência, pois assim será mantida a oferta de alimentos baratos e, paralelamente, o desenvolvimento de ações em defesa do meio ambiente.''
Para o pesquisador da Embrapa Soja José Renato Farias, além das ações de mitigação, também são importantes as ações de adaptação. ''O comércio de carbono surgiu para reduzir as emissões, mas o produtor precisa saber como reduzir a velocidade do impacto do efeito estufa e aumento da temperatura para viabilizar a cultura da soja.'' (Colaborou Mariana Guerin)


