Pesquisadores querem o Itamaraty nas negociações
Pesquisadores querem que o Itamaraty interceda na inclusão do plantio direto na lista de projetos que podem emitir certificados, os chamados Créditos de Carbono, previstos no Protocolo de Kyoto. A sugestão foi lançada pelo pesquisador da Cena/USP, Carlos Clemente Cerri, durante o Simpósio.
Criado em 1997, o Protocolo de Kyoto foi efetivado somente em 2004, depois de a Rússia ter concordado com as determinações aprovadas pela maioria dos 180 países que iniciaram as discussões. Os Estados Unidos, responsável por 24% da emissão mundial de gases poluentes, ainda não assinou o tratado.
O documento define a sistematização e o controle de emissão de gases que deve ser assumido pelos principais países industrializados. Consta ainda a criação de Créditos Carbono e os prazos para a redução mundial da soltura de gases tóxicos na atmosfera.
O cientista Cerri destacou que o sequestro de carbono é um dos temas do protocolo, mas disse que não há interesse por parte do Conselho Mundial em delimitar projetos ligados ao tema, como a utilização do plantio direto. ''Há apenas projetos com visibilidade. O Conselho da ONU ainda é conservador para aprovar propostas como esta'', afirmou o pesquisador.
Cerri sugeriu a elaboração da ''Carta de Foz'', pedindo ao Governo Federal pela inserção do plantio direto como atividade elegível para o próximo período de compromisso do protocolo de Kyoto (2008-2012). Os Créditos de Carbono foram liberados para investimentos em projetos limpos, como a produção de álcool e biodiesel no Brasil. Mas ainda não estão podem bancar atividades agropastoris, sob o argumento de não haver uma metodologia clara sobre o tema.
Um exemplo discrepante consta na lista de fontes de energia aprovadas para uso dos países industrializados: usinas nucleares não são proibidas, mas sim ''restritas'' porque não emitem gases na atmosfera (apesar de gerar lixo radioativo).(R.C.)





