Em tempos de crise e desconforto para os produtores de mandioca – que sofrem com os baixos preços de comercialização da tonelada no Estado – nada mais natural do que debater o futuro do setor, estratégias conjuntas de pesquisa e de transferência de tecnologia. Foi o que fez na última semana um grupo de 40 pesquisadores, técnicos e professores, na unidade do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Paranavaí.
O evento foi idealizado pela Câmara Setorial Nacional da Mandioca, ligada ao Ministério da Agricultura (Mapa) junto a entidades como o próprio Iapar, Embrapa, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Universidade Estadual de Maringá (UEM), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), dentre outras. Além de debater a situação de mercado, o grupo, que se reúne há oito anos, discutiu ações ligadas a novas cultivares, mecanização da colheita, fitossanidade, solos, integração lavoura-pecuária e pós-colheita.
O pesquisador da área de fitotecnia do Iapar Mário Takahashi explica que montar essa rede de pesquisa e discussões é importante para que haja contribuição para a cadeia produtiva da mandioca de forma integrada. "Dessa forma, podemos desenvolver atividades diferentes e depois nos complementar, sem que haja repetições de trabalhos e processos", explica. Ele não tem dúvidas que há muito trabalho a ser feito para que a cultura ganhe destaque e novo fôlego, beneficiando os envolvidos. "No que diz respeito ao mercado, ainda falta diálogo mais claro entre o agricultor e a indústria, para que a lei de oferta e procura fique mais equilibrada, o grande problema atual."
No que diz respeito ao desenvolvimento de novas cultivares, o pesquisador relata que ainda há poucos trabalhos sendo feitos pelas instituições. Associado a isso, os produtores são tradicionalistas, apostando nas próprias cultivares, desenvolvidas na prática. "O processo ainda é lento e com poucos materiais sendo criados. Um ciclo vicioso, já que a pesquisa não aumenta o volume de cultivares e o produtor desconfia das tecnologias novas. Bem diferente de outras culturas, como a soja, por exemplo. O volume de trabalho poderia ser maior nesse sentido", admite.
Por fim, outros pontos estão evoluindo gradativamente, como é o caso do controle de pragas e doenças. Takahashi relata que nos últimos anos o grupo conquistou a regularização de alguns agroquímicos, que antes eram usados de forma irregular e agora possuem registro junto ao Mapa para serem utilizados na safra. "Como a mandioca é uma cultura de baixa expressão, muitos produtores acabam incorporando no manejo agroquímicos não regularizados. Com o grupo, nós conseguimos testar e negociar com as empresas fabricantes até a regularização. Mais de dez produtos já foram encaminhados ao Mapa, sendo que pelos menos três ou quatro foram aprovados", finaliza ele.

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