Pesquisador tenta identificar genes que toleram falta de água
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sexta-feira, 06 de outubro de 2000
Carina Gomes Especial para a Folha Rural 
A falta de chuva, principalmente até o período de florescimento da soja, é um problema sério que pode causar queda de produtividade da planta. Na safra passada, a estiagem no Paraná foi responsável pelo mau desempenho das lavouras e o reflexo foram plantas de baixa estatura e queda na produtividade.
Ao contrário de pragas e doenças que são problemas contornáveis, a seca aciona na soja um mecanismo que a faz abortar a flor e a vagem, explica o pesquisador da Embrapa Soja, de Londrina, Alexandre Nepomuceno. Atualmente Nepomuceno coordena uma pesquisa que procura identificar e extrair os genes que tornam algumas plantas mais tolerantes à seca do que outras.
O pesquisador já desenvolveu um trabalho similar com a cultura do algodão, com tese de doutorado nos Estados Unidos. Este trabalho com o algodão rendeu a Alexandre Nepomuceno o Prêmio Santista Juventude, recebido na última semana. O prêmio é oferecido pela Fundação Santista há 45 anos para personalidades que se destacam nas artes, ciência e letras.
Trabalho complexoAo isolar e extrair todos os genes que se manifestam quando ocorre deficiência de chuva, poderemos entender melhor como eles atuam na planta e aplicar os resultados no programa de melhoramento convencional e na criação de plantas geneticamente modificadas, explica Nepomuceno.
A identificação destes genes é um trabalho complexo que se inicia com a seleção de variedades de soja que têm maior ou menor tolerância à seca. Na seleção são consideradas as características agronômicas e fisiológicas, como a taxa de fotossíntese, produtividade e estatura das plantas.
Após a seleção, as plantas são submetidas a situações de estresse, que no campo corresponde à falta de chuva e a condições normais de clima. Depois são retirados pedaços da planta de onde serão extraídos o DNA e o RNA. Só então é feita a identificação dos genes que se manifestaram durante o período de seca.
Linhagens selecionadasSegundo o pesquisador, conhecendo detalhadamente cada gene relacionado à seca, é possível definir uma espécie de padrão de tolerância à seca. A curto prazo, os primeiros resultados poderão ser aplicados no programa de melhoramento convencional, causando uma significativa redução de custos no teste de linhagens que melhor se adaptam a este tipo de condição imposta pelo clima. Vai ficar muito mais fácil para selecionar linhagens, pois basta fazer uma análise do DNA e descobrir o grau de tolerância da variedade criada, avalia.
Outra utilização deste estudo é a criação de plantas transgênicas tolerantes à seca. Uma das hipóteses que o cientista trabalha é com a interferência, de um tipo de açúcar presente em plantas, no metabolismo da soja, tornando-a capaz de suportar por mais tempo a falta de água. A pesquisa ainda está em fase inicial e não temos uma previsão de quando estará disponível para o agricultor. Tudo depende de investimentos e estrutura para continuação dos trabalhos, afirma Nepomuceno.


