Pierre Labeyrie, diretor do Centro Eden, organização francesa sem fins lucrativos que trabalha com uso de energias renováveis, falou sobre experiência com biogás na Europa. ''A França é mais conhecida por ser medíocre no desenvolvimento das energias renováveis, mas espero que isto mude'', disse o pesquisador.
Segundo ele, hoje na Europa a Alemanha é quem está mais à frente nesta questão. Labeyrie contou que há quatro mil instalações naquele país vizinho que produzem e utilizam biogás gerado a partir de resíduos agropecuários. A Alemanha ainda aprovou uma lei que obriga as empresas de eletricidade a comprarem a bionergia que sobra das propriedades pagando preços de mercado. Suécia e Suíça também desenvolvem programas para purificar o gás natural de reservas fósseis e usá-lo em veículos. Na França, um quarto dos postos de combustíveis do país tem bombas de gás metano para abastecer a frota.
Labeyrie lembrou que nos países europeus, os custos para adoção do sistema de geração de biogás através de resíduos são elevados mas ainda assim, na Alemanha, por exemplo, mais de 1 mil pequenas propriedades de até sete hectares produzem biogás. O pesquisador também citou uma experiência conhecida por ele na Colômbia e também utilizada no Vietnã e Camboja, com custo reduzidíssimo. Bastam US$ 20 para fazer biodigestores a partir de cobertura plástica colocada sobre um reservatório de excremento de animais. O gás produzido nessa experiência, segundo Labeyrie, permite gerar eletricidade para girar um motor de 175 cavalos.
Segundo o estudioso francês, a produção de biogás por meio da metanização é uma ferramenta para aumentar rendimento dos produtores sem aumentar seu plantel de gado ou área plantada, mas aproveitando sobras. ''Reduz-se o uso de agrotóxicos e melhoramos a reciclagem dos elementos o que acaba gerando mais fertilização natural ao solo'', explicou. Labeyrie ressaltou as condições climáticas do Brasil que favorecem a geração de biogás, já que faz calor o ano inteiro.

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