Pesquisa sobre árvores medicinais
Árvores com princípios ativos, seja terapêutico, tóxico ou madeireiro estão sendo pesquisadas pela primeira vez no Brasil. O trabalho está sendo realizado pela professora Emante Regina Mikuckis Juraitis, do Departamento de Biologia Vegetal da Universidade Estadual de Londrina.
O primeiro levantamento já foi realizado na região Norte do Estado, nas oito microbacias do Rio Tibagi, através do subprojeto Levantamento da Flora Arbórea do Rio Tibagi, em parceria entre a UEL, a Klabin e o Copati (Consórcio Intermunicipal para Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi). Das 265 especíes catalogadas para pesquisa bibliográfica, 74 apresentaram algum tipo de princípio ativo, 69 apresentaram propriedades duvidosas que necessitam de maiores informações, e 122 apresentaram apenas características morfológicas, sem nenhum uso direto.
A professora Emante explica que a pesquisa com plantas medicinais arbóreas não tem tido a mesma ênfase que as espécies herbáceas e arbustivas (mais conhecidas como matos), tendo em vista que as últimas são muito mais abundantes e de crescimento mais rápido do que uma de espécie arbórea. Além disso, na pesquisa com árvores a coleta de materiais como sementes e flores é bem mais complicada, devido à altura das plantas.
Um dos fatores que facilitaram a realização do trabalho na região foi a existência do laboratório natural, da Bacia do Rio Tibagi, próximo e de fácil acesso.
Entre as ávores pesquisadas, algumas são mais conhecidas pelas suas outras utilidades. A araucária pode ser aproveitada como madeira, também conhecida como pinho. Mas suas cascas são ricas em potássio, e na medicina popular empregam-se as folhas cozidas contra anemias e fraquezas em geral. A pata-de-vaca ou unha-de-vaca, nativa na região e bastante utilizada na arborização das ruas de Londrina, tem várias funções medicinais. Tanto em banhos quanto em uso interno, as folhas, cascas, lenho e raízes são recomendadas para problemas de excreção urinária (urina solta), e impedir ou reduzir o açúcar no sangue, sendo indicada para diabete. A imbaúda ou umbaúba é outra árvore que tem suas folhas e o caule utilizado na medicina popular para o tratamento de bronquite, tosses e coqueluche. O palmito nativo, consumido como alimento, tem uma seiva (suco do caule) com funções cicratizantes de cortes e ferimentos profundos. A peroba também é uma planta que tem duas propriedades medicinais pouco conhecidas. Sua casca amarga tem função adstringente e febrífuga.
O conhecimento das propriedades das espécies remanescentes da Bacia do Tibagi vai colaborar nas iniciativas de reflorestamentos destas áreas, de modo que, além da utilização das espécies nativas, poderão ser formados bosques com espécies úteis ao homem.
O material colhido foi secado, prensado, e depois de devidamente tratato, está depositado no herbário da UEL, que é reconhecido internacionalmente. Para cada espécie já identificada foi feito um levantamento bibliográfico, onde constam espécie, família a que pertence, um breve sumário de suas características básicas, sinonímia encontrada e as áreas de ocorrência.(C.C.)





