Pesquisa propõe reduzir nutrientes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Carolina Avansini<BR>De Londrina 
Experimentos realizados por pesquisadores brasileiros indicam que é possível diminuir a aplicação de nutrientes no solo sem prejudicar o desenvolvimento da soja. A medida, que pode proporcionar economia de até 30% no custo de produção, não deve interferir no recebimento do seguro agrícola, apesar das seguradoras costumarem utilizar a redução de insumos como argumento para dificultar o pagamento do benefício.
A informação foi confirmada pelo pesquisador Áureo Lantmann, da Embrapa Soja em Londrina. Ele explicou que as diminuições propostas têm bases científicas e constam das recomendações técnicas oficiais elaboradas pela Embrapa. Em caso de problemas para receber o seguro, o produtor deve procurar a empresa, que emitirá um parecer respaldando a ação do segurado. ''A instituição se responsabiliza pelas recomendações técnicas propostas'', disse.
Novidades Durante a 23 Reunião de Pesquisa de Soja da Região Central do Brasil, realizada em Londrina na semana passada, foram apresentadas algumas alterações nas recomendações técnicas para a cultura da soja.
Entre as novidades, os pesquisadores destacaram a redução do índice de suficiência de cobre considerado ótimo para as lavouras de soja; o Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação (DRIS), modelo matemático que apresenta parâmetros para comparação do nível de fertilidade do solo nas propriedades; e a otimização da ação da bactéria bradirrizobium, responsável pela fixação do nitrogênio nos nódulos e raízes da planta.
Cobre Durante a reunião, o pesquisador da Embrapa Soja Gedi Sfredo propôs alterar a faixa ideal de presença do cobre no solo para 6 a 14 mg por quilo (kg), ao invés do índice de 10 a 30 mg/kg utilizado anteriormente. Isso significa que o produtor só precisará aplicar cobre na lavoura quando a análise foliar indicar a presença de menos de 6mg/kg.
A conclusão foi obtida a partir do estudo dos resultados de diversos experimentos realizados em todo o Brasil. Segundo Sfredo, não houve queda de produtividade nas áreas onde foi feita aplicação em menor escala, comprovando que os parâmetros anteriores, baseados na literatura estrangeira, eram exagerados para a realidade do País. O ajuste permite que o produtor reduza seus custos com adubação.
Matemática Uma tabela que vai ajudar o agricultor a entender melhor o estado nutricional da soja, melhorando, consequentemente, a eficiência da adubação, é a proposta do Sistema de Diagnose Foliar e Recomendação (Dris), desenvolvido por Áureo Lantmann. Para utilizar o sistema, o produtor deve tirar amostras aleatórias das folhas durante o período de floração. Em seguida, precisa mandar analisar o material em um laboratório e comparar os resultados com os dados do sistema.
Se o índice obtido pelo produtor for menor que o proposto pela tabela, significa que ele deve fazer a aplicação do insumo analisado. Se ao contrário, o índice for maior que o estabelecido, indicará que ele não precisa fazer a adubação. Segundo Lantmann, o Dris foi elaborado a partir de um banco de dados com informações sobre as melhores condições de solo para a cultura.
O pesquisador ressaltou que as variedades de soja disponíveis no mercado permitem alcançar produtividade de 4,5 mil quilos/ha, mas a média no Paraná fica em torno de 3 mil quilos/ha. ''A diferença poderia ser alcançada com a adubação equilibrada,'' destaca o pesquisador.
Nitrogênio De acordo com o pesquisador Rubens José Campo, os produtores possuem o hábito de aplicar o fungicida e o inoculante de forma conjunta nas sementes de soja. A prática, ele garante, reduz em até 90% a nodulação da raiz da planta. ''Por isso, a aplicação deve ser feita com critérios'', disse.
Campo explicou que a associação das duas substâncias mata a bactéria bradirrizobium, responsável pela fixação biológica do nitrogênio (inoculação). Sem esse nutriente, a formação de nódulos da raiz é prejudicada, interferindo no bom desenvolvimento da planta.
Para resolver o problema, ele sugere deixar de usar o fungicida, caso o solo e as sementes não estejam infestados. Outra alternativa é usar fungicidas menos tóxicos à bactéria, já existentes no mercado. Também é possível usar o fungicida na semente e o micronutriente nas folhas, junto com um herbicida pós-emergente (aplicado após o nascimento da planta).
Durante a reunião de pesquisa de soja da região Central foi fundada a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), que tem o objetivo de fortalecer a atuação dos produtores junto à políticas de crédito rural, seguro agrícola, mercado internacional, sistema de comercialização e distribuição, além de promover a atualização tecnológica de sojicultores e técnicos. A Aprosoja pretende firmar parceria com fundações de amparo à pesquisa para traçar estratégias e metas de fortalecimento da associação.
ServiçoEmbrapa Soja, em Londrina: (43) 371-6000 ou www.cnpso.embrapa.br


