‘‘Os pesquisadores da área de melhoramento vegetal precisam se voltar para um trabalho de seleção de variedades de milho destinadas ao consumo animal’’, destacou o pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves da Embrapa (Concórdia), Cláudio Bellaver, que participou dos debates sobre Nutrição, durante o 1º Congresso Brasileiro de Suínos e Aves, realizado na semana passada em Londrina.
A produção mundial de milho está em torno de 440 milhões de toneladas. Deste total o Brasil responde por 8% e os Estados Unidos produz quase 50%. E tanto um como o outro destinam mais da metade de sua produção ao consumo animal, informou o pesquisador. Então, por que não priorizar a pesquisa para atender esta necessidade?, questiona Bellaver.
Na Embrapa-Milho e Sorgo, de Sete Lagoas, MG, já se começou um trabalho de melhoramento protéico de milho. O resultado é o milho QPM (Milho de Qualidade Melhorada) que melhora a distribuição de aminoácidos dentro da proteína. ‘‘Mas isso ainda é muito pouco, comparado com os melhoramentos já feitos em outros países’’, comenta.
Alto óleoUma das variedades já disponíveis no Exterior para as grandes empresas é o HO (Alto Óleo), que tem o dobro da quantidade de óleo do milho comum. Segundo Bellaver, além de ter um ótimo rendimento na indústria de óleo, também tem bons resultados na elaboração de ração para aves e suínos. ‘‘A ração fica mais barata, porque pode reduzir a quantidade de soja e óleo utilizada’’.
O milho HO é tão importante que a empresa que detém a patente está atendendo atualmente 80% do mercado, pelo fato de agregar 4% a mais de óleo do que o milho comum, explica Bellaver. A pesquisa tem se dedicado mais ao melhoramento vegetal, buscando um milho com mais resistência a doenças e pragas, e menor acamamento. ‘‘Mas a cadeia produtiva do milho acaba na boca do suíno ou da ave, e é preciso se preocupar com o melhoramento da nutrição e da melhor qualidade do grão’’, completa.
No Brasil são formuladas anualmente 23 milhões de toneladas de ração, e existe um potencial grande de mercado para novas variedades de milho que atendam, principalmente, o consumo de animais, considerando que 70% do custo de produção dos suínos e aves fica por conta da ração.
Outros problemasAs discussões em torno do milho durante a Expogranja apontaram também outras dificuldades. Mesmo o Brasil tendo produzido 30 milhões de toneladas de milho no ano passado, das quais 8,7 milhões foram colhidas no Paraná, os produtores ainda enfrentam sérios problemas, principalmente no que se refere à falta de assistência técnica eficiente e um rendimento por hectare médio baixo.
Segundo José Gomes, da Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio (Fapeagro), ‘‘hoje se produz mal e sem qualidade, e são necessárias adaptações, novas tecnologias e informações’’. Ele lembra que as parcerias com o consumidor final, no caso as indústrias de rações, avicultores e suinocultores também são determinantes para que a agricultura seja encarada como qualquer outra atividade econômica.
A Expogranja também mostrou o valor da carne suína e novas tecnologias para melhorar a produção do setor. ‘‘A grande meta, agora, é popularizar o consumo da carne de porco’’, afirmou Virgílio Mendes do Nascimento, presidente designado da Associação Paranaense de Suinocultores.
Do ponto de vista técnico, o congresso trouxe informações atuais e promoveu a integração das três áreas, afirmou Jefferson Soares, professor da UEL e coordenador da área suinícola. ‘‘O evento alertou o setor para problemas que estão acontecendo na Europa, como a epidemia da peste suína clássica, que podem atingir o Brasil caso não sejam adotadas medidas para controle de fronteira e tráfego de animais.’’
AviculturaNa área avícola, além dos debates, foi elaborado um documento final, entregue ao Ministro da Agricultura, Arlindo Porto, com propostas para o fortalecimento da política de sanidade avícola. Segundo o professor da UEL, Ivens Guimarães, coordenador da parte avícola, um dos maiores entraves para o desenvolvimento da avicultura é carência de técnicos especializados no assunto.
Neste sentido, a proposta é de reformulação do currículo do curso de Medicina Veterinária, adequando-o aos aspectos sociais, econômicos, ambientais e de manejo voltados à especialidade de Medicina Aviária.

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