Em breve, a utilização de suplementos vitamicos pode virar coisa do passado. A boa notícia é para os amantes do feijão. Pesquisa conduzida pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), nos últimos 12 anos, por meio do melhoramento genético, busca aumentar o valor nutricional do grão. Ainda sem data fixa para entrar no mercado, as novas variedades, os chamados 'feijões biofortificados', trazem uma dose extra nas propriedades naturais do feijão - alto teor de ferro, fibras e proteínas.
De acordo com Vânia Moda Cirino, uma das responsáveis pelo estudo, que trabalha na área de melhoramento genético do Iapar, nos últimos anos os pesquisadores mudaram o foco dos estudos. ''Atualmente a preocupação é atender as carências nutricionais da população mais pobre'', descreve. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), 30% da população mundial tem deficiência de ferro, o que provoca, por exemplo, a morte de 100 mil mulheres durante o parto, causa abortos e atraso no desenvolvimento psicomotor e cognitivo em crianças. Vânia afirma que a pesquisa pretende desenvolver variedades com bom desempenho agronômico, com qualidade tecnológica e rico em nutrientes. ''Os técnicos usam o melhoramento genético e não a transgenia'', destaca
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O desafio lançado aos pesquisadores é desenvolver produtos que possam suprir essas necessidades. Com acesso restrito à carne vermelha, uma das opções de alimento rico em ferro e proteínas para a população pobre é o feijão. De acordo com Vânia Cirino, 100 gramas de feijão seco possuem de 5 a 7 mg de ferro, quantidade que os pesquisadores pretendem aumentar para até 15 mg.
Os resultados são animadores. ''A curto prazo é difícil, mas já desenvolvemos a variedade IPR Juriti que tem teor médio de ferro entre 9 e 10 mg por 100 gramas de grão seco'', diz Vânia. A pesquisa também busca o desenvolvimento de variedades com teor mais elevado de proteínas. As variedades comerciais contêm de 18% a 23% do componente. Os técnicos do Iapar obtiveram o IPR Colibri, feijão que tem 25% de proteínas, mas a meta é ir ainda mais longe e alcançar índice entre 28% a 30%.
Os pesquisadores pretendem também desenvolver variedades mais ricas em fibras solúveis, aumentando o teor de 14% a 19% para um índice em torno de 24% a 25% de fibras. Vânia Cirino explica que esse componente é importante para a saúde. ''As fibras solúveis - as que são digeríveis pelo organismo humano - aceleram o trânsito intestinal, interferem no metabolismo do colesterol e reduzem a taxa de glicose.'' Estudos demonstram que a ingestão de 60 a 150 gramas de feijão (grão seco) ao dia reduz em 12% a taxa de colesterol.
A inclusão do feijão na dieta é tão importante que, conforme relata Vânia, o governo dos Estados Unidos faz uma campanha para incentivar mulheres grávidas a comer feijão. ''O ácido fólico do produto pode evitar problemas na formação dos fetos, como a espinha bífida (malformação em que a espinha dorsal do bebê se bifurca).''
Além de desenvolver alimentos enriquecidos, os pesquisadores se dedicam também à busca de produtos com qualidade tecnológica. Graças a esses avanços, a dona de casa tem à disposição um feijão que exige menor tempo de cozimento. Feijões das variedades comerciais levam de 40 a 50 minutos para ficar prontos. A variedade IPR Uirapuru (feijão preto) cozinha num tempo entre 10 e 15 minutos e tem como vantagens também o sabor, textura da casca e a coloração e espessura do caldo, que agradam os consumidores. O IPR Tiziu (preto) também tem essas características e o carioca IPR Saracura leva 15 minutos para cozinhar.

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